REVOLUÇÃO NO CHACO

Por Bolívar Silveira

A grande planície semi-árida no centro da América aparece como postulante a surpresa da Copa América e eliminatórias, ou no mínimo, uma seleção para estar de olho.  Além de contar com uma boa geração de jovens jogadores, um fator local muito determinante, agora os paraguaios terão na casamata Juan Carlos Osório. Essa combinação tende a encantar os amantes de futebol, as canetas azuis e vermelhas combinam com a bandeira do valente Paraguai.

El Profe, como é chamado, é presença constante em todos os estádios paraguaios. De Asunción até Ciudad de Leste, do Cerro Porteño até o 3 de Febrero. Aos poucos Juan Carlos Osório começa a demonstrar sua maneira de comandar seleções, um trabalho diferente do que ele estava acostumado.  Em uma de suas primeiras entrevistas para a imprensa ele já manifestou como esse projeto começa a ser construído e deu pistas de como a Albiroja irá jogar.

Osório observa Luqueño contra Cerro Portenõ, no Defensores del Chaco.

Osório observa Luqueño contra Cerro Portenõ, no Defensores del Chaco.

O treinador deixou claro que a seleção necessita de uma grande remodelação tecnológica, para melhorar obtenção de dados dos profissionais de análise de desempenho. Cujo trabalho, Osório entende de imensa importância para o estilo de treino que precisa empregar. Não deixa de ser uma revolução para os parâmetros paraguaios, grande parte das equipes locais não possuem equipamentos de GPS em seus jogadores.

Dentro de campo, a ideia é tornar processos do jogo com naturalidade, que o jogador que atue pela seleção paraguaia funcione dentro da planificação planejada de maneira orgânica, sem precisar pensar o movimento que precisa realizar. Se trabalhará com princípios similares  ao do jogo , competindo a todo instante e em situações mais parecidas possíveis, sejam esses treinos ofensivos ou defensivos. Todos esses princípios da periodização tática, modelo de treinamento que Juan Carlos Osório utilizou recentemente no México.

Em sua primeira data FIFA, o colombiano utilizou apenas para reunir os convocados e treinar, não foi marcado nenhum jogo amistoso. Justamente para naturalizar a tomada de decisão dos jogadores, como disse o próprio treinador

“O cansaço aqui não será físico, mas mental” – Juan Carlos Osorio

Em todas as equipes que passou Osório deixou sua marca, equipes que buscam a superioridade em todo o momento, trabalham muito bem a possessão, mas não possuem vergonha de serem reativas. Entretanto, nada de retranca, defesa pela defesa, de certo modo uma revolução na maneira da seleção paraguaia. Na parte ofensiva, Osório utiliza os pontas para dar amplitude de campo e um centroavante para ter a tão desejada profundidade. O treinador também já avisou que treinará três plataformas táticas, que por seu currículo provavelmente serão o 4-3-3, 5-3-2 e 3-4-3.

Além de toda qualidade de estrategista e gestor de elenco, Osório contará com jovens talentos em franca ascendência na carreira, Santiago Arzamendia, Jesus Medina, Miguel Almiron, Hector Villalba, Cristian Colman e Antonio Sanabria serão peças importantíssimas desse atrativo trabalho. A mudança será forte nesse país de pouca umidade e muito chão. Preparem-se para uma revolução no Chaco

Primeira convocação da seleção paraguaia da Era Osório

Primeira convocação da seleção paraguaia da Era Osório

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