PREVIEW DA LIGUE 1 2019/2020

Por Renato Gomes

Nesta sexta será dada a largada para mais uma temporada da Ligue 1. Com o Paris Saint-Germain novamente sendo o grande favorito para a conquista do campeonato da França, é possível considerar o calendário de 2019/2020 como uma temporada de transição, sendo que nenhum concorrente parece ser capaz de repetir os feitos de Montpellier em 2011/2012 e Monaco em 2016/2017,

Além do novo ciclo envolvendo os direitos de transmissão e o consequente aumento de capital entrando no cofre dos clubes, é possível detectar uma espécie de novo ciclo em boa parte dos principais clubes da França. E quando falamos de ciclo é óbvio que o primeiro assunto que surge é: Neymar encerrará o seu no Paris Saint-Germain?

Neymar se tornou a grande engrenagem para fazer funcionar a construção e a criação do PSG em 2018/2019

Com a chegada de Leonardo para dirigir o futebol do clube, o PSG decidiu por mudar sua política de contratações e também deu um voto de confiança a Thomas Tuchel. O alemão recebeu os reforços desejados e a diretoria conseguiu sanar algumas lacunas que estavam presentes no elenco da equipe da capital, seja em qualidade, com Pablo Sarabia chegando para concorrer o posto com Julian Draxler e suprir a saída de Daniel Alves, por exemplo, ou em quantidade, contratando Idrissa Gueye e Ander Herrera para adicionar mais profundidade e tornar mais competitivo o setor de meio-campo. Entretanto, a dúvidas sobre quem será o grande parceiro criativo de Kylian Mbappé e se a equipe está mais preparada para lidar com as exigências defensivas ainda estão por serem respondidas, com Tuchel estando mais pressionado do que nunca para fazer a equipe ter um desempenho melhor em relação a o que foi feito em sua primeira temporada.

 

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A dúvida no PSG é quem será o companheiro de Mbappé

 

De qualquer forma, ao menos no âmbito interno, o Paris ainda segue soberano e somente um desastre tiraria o título francês de suas mãos. Isso por conta dos problemas que a concorrência sofre atualmente. O Olympique Lyonnais, time de segundo maior orçamento e de ambições de alto nível, sofreu um grande golpe com a saída de Ferland Mendy, Tanguy Ndombele e Nabil Fekir. Com os três jogadores representando bem o funcionamento do sistema, agora surge Sylvinho, respaldado pelo diretor Juninho Pernambucano, como o mais novo personagem da equipe de Jean-Michel Aulas. Por algum tempo não testemunhávamos o trabalho de um brasileiro nas grandes ligas da Europa e a partir de agora veremos se o Lyon verá a mão do técnico sobressair no elenco do jeito que está ou se ainda farão uma segunda parte do mercado para sanar a falta de qualidade evidente no elenco.

Já o outro Olympique, o da cidade de Marselha, vive um momento bem mais complicado. Com um plano ousado, a direção de Frank McCourt quase levou a equipe ao sucesso chegando na decisão da Europa League. Mas a missão em tornar o OM uma equipe competitiva no curto prazo acabou o mais cedo do que o previsto com excesso de poder e o desgaste sofrido com Rudi Garcia. A chegada de André Villas-Boas surpreende, já que o português não treinava num grande centro há anos, mas seu conhecimento como estratégia coloca o Marseille um passo a frente de boa parte das equipes da liga e os grandes nomes que fizeram o sucesso da equipe do sul da França ainda continuam lá, como Dimitri Payet e Florian Thauvin. Agora, juntos com Dario Benedetto, a missão é tornar a equipe sólida ao mesmo tempo que há pouca margem para manobra, seja no elenco ou no mercado, pela frágil situação financeira causada pelo sacrifício de anos atrás.

 

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O Marseille gastou €15 milhões em Benedetto

A cereja do bolo, Benedetto é a peça pedida por AVB para complementar e adicionar qualidades ao ataque do OM

 

Situação financeira que não é problema para o Monaco, que pagou o preço em campo por trocar o projeto esportivo pelo comércio de jogadores. Enquanto lucrou euros e mais euros, o desempenho da equipe caiu drasticamente, já que a diretoria não soube respaldar o futebol que defende Leonardo Jardim e agora corre atrás do tempo perdido para reequilibrar seu elenco até atingir novamente um nível digno do tamanho do ASM.

 

Demitido e recontratado, Jardim ainda sofre para encontrar um novo rumo

 

Enquanto o setor defensivo passa por um início de renovação, recebendo Benjamin Lecomte e Ruben Aguilar, o setor ofensivo ainda sofre para encontrar seu caminho e depende da chegada de mais reforços pontuais para saber se será algo semelhante ao Monaco mais defensivo, que foi eliminado pela Juventus em 2015, ou ao Monaco mais ofensivo, que funcionava como um rolo compressor, campeão da França e semifinalista da Champions League em 2017.

Se as principais equipes da França não foram sólidas o suficiente para manter as expectativas na última temporada ou até nos últimos anos, há gente capaz de ocupar o posto. Após uma temporada desastrosa com Marcelo Bielsa, o Lille aprendeu com os erros. Liderados por Luis Campos nos bastidores e por Christophe Galtier em campo, o ataque composto por Pépé, Bamba e Ikoné encantou a França com um futebol de ritmo altíssimo e muitas transições fatais.

 

skysports-nicolas-pepe-arsenal_4733638Contratado a peso de ouro pelo Arsenal, Nicolas Pépé só não produziu mais que Mbappé em 18/19

 

Recompensados com o segundo lugar e a vaga na UCL, Galtier agora deve dar um passo adiante para superar a saída de seu melhor jogador. Talvez o antigo treinador do Saint-Étienne nunca tenha tido um elenco tão variado e talentoso em mãos em toda a sua carreira, o que pode acarretar numa mudança de estilo positiva ou negativa dependendo da influência de seu treinador num time que não deve ser tão vertical e funcionar de forma perfeita no cenário do futebol francês como anteriormente.

Se as equipes de maior poder passam por um período de transição, times como Saint-Étienne, Montpellier e Rennes dão continuidade ao bom trabalho realizado na última temporada e buscam a afirmação. Pelo lado dos Verts, a manutenção de um elenco vitorioso já é um passo importante, mas a saída de Jean-Louis Gasset e a decisão política de efetivar seu auxiliar, Ghislain Printant, pode ser um tiro no próprio pé. O MHSC, com um recrutamento inteligente, parte para mais um ano com Michel Der Zakarian e o trio Mollet, Laborde e Delort agora terá Jordan Ferri e Teji Savanier para servi-los em busca de gols, sendo que os dois reforços para o centro do campo adicionam qualidades ao time na utilização da bola. Por último, Julien Stéphan segue em plena evolução no comando do Rennes e é símbolo do surgimento de novos nomes no cenário dos treinadores nascidos e formados dentro da França. Com o SRFC cheio de talento em seu elenco e com capital de sobra a ser gasto nos últimos dias de janela, a saída de Hatem Ben Arfa e a venda de Ismaïla Sarr não devem se tornar um grande problema para o clube da Bretanha.

Outro treinador importante no meio é Patrick Vieira, que vai para a sua segunda temporada no Nice e junto com sua equipe acompanha ansiosamente o desfecho da venda do clube para Jim Ratcliffe, o homem mais rico do Reino Unido. O processo da troca de direção coincidentemente está sendo realizado durante a janela de transferências e até então o OGCN não fez nenhum grande movimento, enquanto já perdeu Allan Saint-Maximin e segue com seu repertório ofensivo extremamente limitado mesmo contando com uma das revelações da última temporada, o jovem argelino Youcef Atal.

545O argelino Atal foi uma das surpresas da temporada passada e hoje é o principal nome do Nice

A temporada 2018/2019 também é a última do ciclo antigo assinado pela liga junto aos detentores dos direitos de transmissão. A mudança para o período entre 2020 e 2024 será responsável por aumentar consideravelmente a renda dos clubes. Fato que de certa forma coloca fogo na disputa pela permanência na elite no que diz respeito à situação financeira dos clubes médios e recém-promovidos à primeira divisão, considerando que o cenário atual da França ainda obriga os clubes a vender para a arrecadação de dinheiro e o consequente investimento em cada equipe de menor porte.

Se por um lado o dinheiro é um fator determinante no futuro das equipes, outras tentam compensar dentro do campo. Além de Thomas Tuchel e Leonardo Jardim, dois treinadores já conhecidos por darem identidade aos seus times, a Ligue 1 segue com Paulo Sousa no Bordeaux e ganha com a chegada de Luka Elsner no Amiens e o retorno de Christian Gourcuff no Nantes, indicando que o projeto esportivo é tão importante quanto o resultado e que trabalham para enriquecer ainda mais o futebol da França.

Monaco e Lyon abrem a primeira rodada da Ligue 1 de 2019/2020 hoje às 15h45, que pode ser acompanhada de forma integral no DAZN e também tem um jogo por rodada transmitido pela TV5 Monde.

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