OS NÚMEROS DA COPA DA RÚSSIA

Por @JPCastilhos

*Administrador formado pela UFRGS e Sócio da Nou Performance GmbH empresa alemã que faz a preparação física de atletas em todo mundo

Estamos vivendo o maior espetáculo de futebol da terra, a Copa do Mundo. Passada já a primeira rodada de jogos temos cada vez mais a certeza de que é o maior evento de futebol de todos os tempos, não só pelos belos gols, a eficiência de CR7, os questionamentos sobre Messi na seleção, a perseguição a Neymar ou as zebras que volta e meia acontecem. Mas também pela atmosfera que se é criada em torno do evento, pela organização impecável feita pela FIFA, por todos atrativos criados pelas cidades sedes, pela troca de experiências e cultura que enriquecem todas as pessoas que de alguma maneira participam do evento e principalmente pelos torcedores que dão vida, cor e voz a todo espetáculo.

Estamos vivendo um momento histórico para o futebol, a Copa da Rússia é 20ª edição do torneio e o 1º a ser realizado no leste europeu, o que nos mostra o quanto o esporte é poderoso e capaz de fazer com que conflitos políticos, econômicos e barreiras culturais sejam deixados de lado em prol de algo maior e da união de todos os povos pelo futebol. Para ilustrar o tamanho do que estamos falando, a organização russa estima que mais de 1,5 milhões de turistas estrangeiros devam passar pelas 11 cidades sedes do país, movidos pela Copa.

Sempre tive a curiosidade de saber um pouco mais sobre os bastidores, dos números e dos meandros de um evento deste tamanho. Foram algumas semanas de pesquisas, estudos e muitas conversas com contatos do meio esportivo para poder entender, digerir e compartilhar um pouco destas informações através desse texto.

Uma das informações pouco divulgada,  pelo meu conhecimento, eram as premiações pagas pela FIFA para as federações dos países participantes do mundial. Somente por se classificar a Copa cada federação recebe $2 milhões de dólares e mais $10 milhões por estar na fase de grupos, isso significa que cada federação já acumula $12 milhões de dólares antes mesmo de a bola rolar. Se a seleção avançar para as oitavas de final receberá mais $12 milhões, avançando às quartas leva mais $18 milhões. Para os quatro primeiros a premiação é ainda mais estratosférica, a seleção que terminar em 4º lugar receberá aproximadamente mais $25 milhões de dólares, a 3ª colocada aproximadamente $30 milhões, seleção vice-campeã aproximadamente $40 milhões e a grande campeã da Copa do Mundo de 2018 levará nada menos que aproximadamente $50 milhões de dólares.

Quando batemos os olhos rapidamente, estes números nos parecem um tanto quanto exorbitantes. Porém se analisamos de forma macro e entendemos que o futebol está inserido em uma indústria gigantesca, como é a indústria do esporte, reconhecemos que esses valores fazem parte do jogo. A indústria do esporte movimenta anualmente por volta de $700 bilhões de dólares e 43% dessa fatia é representada pelo futebol, evidenciando o tamanho que representa o futebol no mercado global.

A Copa do Mundo é o segundo maior evento esportivo do mundo, perdendo apenas para as Olimpíadas. Contextualizando, é interessante se fizermos uma comparação entre o valor de marca de cada um dos eventos e suas respectivas audiências na televisão. A marca dos Jogos Olímpicos possui valor estimado de $348 milhões de dólares enquanto a marca Copa do Mundo possui valor estimado de $170 milhões, nas Olimpíadas a audiência na TV chega a bater a marca de 4 bilhões de espectadores, já a Copa do Mundo 3,6 bilhões de espectadores em frente às TV’s.

A Copa do Mundo da Rússia é sem dúvidas a maior de todos os tempos, são estimados mais de $6 bilhões de dólares de faturamento para esse evento. No entanto esse é o menor crescimento do faturamento de um evento para outro nos últimos anos. Da Copa da África em 2010 para a do Brasil em 2014 teve-se um crescimento de $1,6 bilhões de dólares, enquanto esse crescimento é de apenas $0,3 bilhões de dólares da Copa do Brasil para a da Rússia.

Em relação aos patrocínios também se nota um movimento de retração das marcas em patrocinar o evento, o valor de faturamento com patrocínios estimado pela FIFA para 2018 foi de $1,5 bilhões de dólares, valor 8% menor que na Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Grande parte desse movimento das empresas é justificada pelos escândalos protagonizados pela entidade máxima do futebol, apesar de grande esforço da mesma para reverter essa má impressão deixada nos últimos anos. Outro motivo que contribuiu negativamente para que isso acontecesse foi a mudança de estratégia adotada pela FIFA na comercialização de pacotes de patrocínio, a FIFA já reconheceu sua falha em operar com esta nova estratégia e prometeu voltar atrás para a Copa de 2022 no Qatar.

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O gráfico acima impressiona e deixa ainda mais claro a queda de faturamento com patrocínios para esse mundial. Se analisarmos ainda mais a fundo os patrocinadores da Copa de 2018 vemos que a FIFA terá um desafio ainda maior para as próximas edições do evento. Explico; a Gazprom (empresa russa de gás natural) só entrou como patrocinadora desta edição pois ela acontece na Rússia, já avisou que não seguirá como patrocinadora para futuros eventos. Seguindo esta mesma linha a Qatar Airways deu a entender que não continuará como patrocinadora da Copa do Mundo após o encerramento do evento no Qatar em 2022. Ainda com esperanças de sediar o mundial de 2030 o grupo chinês Wanda Group entrou como patrocinadora desta edição, mas caso a candidatura chinesa não se confirme isso poderá mudar. Outro ponto que chama atenção é o baixíssimo número de patrocinadores regionais para 2018 se comparado com a Copa do Brasil.

Nada disso tira o brilho e toda a emoção do maior evento de futebol do planeta, nem o grande trabalho realizado pela FIFA, pelos mais de 17 mil voluntários e pela organização russa. Mas são pontos importantes de serem analisados e que nos fazem entender um pouco mais sobre como funcionam as engrenagens que fazem girar essa máquina grandiosa chamada Copa do Mundo.

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