OS CINCO DESTAQUES DA TAÇA BH

Por @Negociações

O Atlético-MG foi campeão da Taça BH 2018 ao ganhar de 3×1 contra o Fluminense. Em final com domínio inicial dos cariocas, o Galo conseguiu aproveitar dois erros individuais para virar a partida ainda no primeiro tempo e consolidar a vitória ao retomar seu estilo de jogo característico de controle do meio com marcação ofensiva. Definitivamente o Atlético-MG apresentou-se como o time mais competitivo dessa edição, com disciplina tática e poder de reação ao buscar a virada nos jogos das quartas, semi e final.

Nesse fim de competição apresento a análise dos cinco jovens jogadores com melhor desempenho na competição. A lista foi desenvolvida com base na observação de todos os 16 confrontos transmitidos, valorizando a fase atual dos atletas além do potencial e também a classificação final dos times.

Vale deixar claro que o objetivo desse artigo não é apresentar o próximo Vinícius Júnior ou Rodrygo, mas sim um panorama como realidade histórica da quarta edição na categoria sub-17 de uma das principais competições de base do futebol brasileiro. Nomes que passaram por BH em 2018 ainda serão muito repercutidos, como Ramon, Nathan, Lucas Ramos, Gabriel Silva, Gabriel Veron, Kaio Jorge, Ed Carlos e tantos outros.


RUBENS

Melhor jogador da competição, o meia Rubens, de 17 anos, também foi para muitos a surpresa do campeonato, já que não figura nas convocações recentes da seleção, assim como seu companheiro Guilherme. Rubens ditou o ritmo do Atlético-MG na competição, mas de forma particular, ao ser o motor e jogador com melhor encaixe na proposta de marcação ofensiva do Galo estabelecida por Leandro Zago. Terceiro homem do meio, mas longe de ser um meia clássico, proporcionou inúmeras situações de gol a partir de roubadas de bola no campo de ataque e condução de bola, sendo a principal conexão com os atacantes. Mostrou ter qualidades ofensivas e defensivas, algo incomum para um meia no sub-17. Jogador chave na virada sobre o favorito São Paulo na semifinal, que estava invicto, sem sofrer gols e apresentando o futebol de melhor qualidade na competição. Mostrou novamente no segundo tempo da final porque é tão importante para o Atlético. Para despontar no profissional necessitará flexibilidade tática para jogar como segundo homem no meio, abrindo opções de parceria com meias com melhor drible e chute.

GUILHERME

Capitão do Atlético-MG, o centroavante de 17 anos foi o artilheiro isolado da competição ao marcar 7 gols em 7 gols, sendo dois para buscar o empate contra o Santos nas quartas e dois para virar o jogo contra o Fluminense na final. Atuando em um time com menos vocação ofensiva do que a média da competição e o que se espera na categoria sub-17, Guilherme conseguiu se destacar ao marcar gols e também por contribuir na marcação ofensiva característica do Galo. Mostrou qualidade de posicionamento ao buscar o jogo com Rubens e Gabriel durante a competição e foi flexível ao atuar só com Thiago Juan no ataque e depois agregando Luiz Filipe, mas principalmente se destacou pela qualidade no posicionamento, abrindo espaços e aproveitando as oportunidades recebidas.

MARCOS PAULO

Com contrato renovado e multa de 45 milhões de euros, Marcos Paulo chegou somente na terceira rodada da fase de grupos, mas rapidamente mostrou porque é figura constante no sub-20 e até nos treinos do profissional, atraindo interesse europeu. Entre os destacados é o que deve estrear no profissional mais cedo, potencialmente já como substituto de Pedro. O centroavante de 17 anos marcou 5 gols em 5 jogos, sendo dois nas oitavas, dois nas quartas e um na final contra o Atlético-MG. Em comparação ao que Pedro tem apresentado no profissional, Marcos Paulo também tem posicionamento privilegiado na bola aérea e bom porte físico, mas tem mais qualidade no chute e drible curto. Seu entrosamento com João Pedro, que rendeu o apelido de “novo Casal 20”, foi chave para a campanha de um Fluminense com defeitos defensivos.

JOÃO PEDRO

O atacante de 17 anos do Fluminense destacou-se na competição ao atuar como extrema esquerda. Buscando a linha de fundo como pouco se vê atualmente, João Pedro foi a principal peça ofensiva do Flu mesmo com a presença de Marcos Paulo, chamando a responsabilidade no passe final. Buscou o drible como nenhum outro jogador na competição e teve taxa de sucesso muito alta, mas sem exagerar ou ser individualista como jogadores habilidosos normalmente fazem na base. Vice artilheiro da competição com 5 gols ao lado de Marcos Paulo e de Kaio Jorge, do Santos, demonstrou ter excelente capacidade de decisão ao marcar nas oitavas, quartas e semifinal. Formou a melhor dupla de ataque da competição com Marcos Paulo e deve ser lembrado nas próximas convocações da seleção.

TALLES

O volante do São Paulo é o nome com maior potencial a ser desenvolvido entre os cinco listados. Nascido em 2002 e com apenas 15 anos durante a competição, Talles não teve dificuldade em se destacar no primeiro ano na categoria e com a responsabilidade de representar o atual bicampeão da competição. Atuando com liberdade à frente de Falcão, Talles ditou o ritmo do time mais organizado da competição com qualidade no passe e visão de jogo. Após a lesão do excelente meia Ed Carlos, com potencial para ser o melhor jogador da competição, Talles ficou sobrecarregado ao ser exigido na transição e na criação. Viu seu time ser eliminado de virada pelo Atlético-MG na semifinal em jogo com opções questionáveis do técnico paulista, que optou por um jogador ofensivo em boa fase em detrimento de um companheiro para Talles no meio. Figura constante na seleção brasileira, esteve na campanha vice-campeã em Montaigu. Foi o grande box-to-box da competição ao lado do volante Lucas Ramos do Internacional.

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