OS CHINESES INVADIRAM A EUROPA

Por @FelipeSimonetti

É indiscutível: o centro do mundo é a Europa. Basta olhar nossos mapas e quem estará bem na altura de nossos olhos, em destaque, com enormes fluxos de capitais? O velho continente. No futebol, esta regra é ainda mais forte. Enquanto no mundo dos ativos financeiros de rápido direcionamento de capitais hoje olha para os Estados Unidos mais do que qualquer outra nação, no mundo da bola, quem vende, contrata, empresta, lota estádio, vende produto, viaja e manda no jogo é o futebol europeu.

O esporte surgiu lá, mas foi a partir da década de 90, com os uniformes extravagantes, as golas polo levantadas e os brasileiros roubando a cena que o dinheiro realmente começou a ganhar volume. E foi na virada do milênio que as cifras perderam os controles: Zidane, Crespo, Cristiano Ronaldo, Shevchenko, Neymar, Ibrahimovic, todos juntos já movimentaram mais de um bilhão de euros somente em transferências. Mas em um momento de pré-virada para a terceira década alguns nomes – menos legíveis para nós ocidentais – começam a ganhar mais destaques nos noticiários: você conhece Li Yonghong? E Wang Jianlin?

Para simplificar, esses são alguns dos homens que mais tem feito dinheiro girar no mundo futeboleiro e ambos são chineses. Em 2015 todos começaram a se surpreender com o tamanho do mercado chinês. No ano seguinte, o Corinthians viu o poder do mercado ao perder os principais nomes do time campeão por mais de €20mi. E o estopim veio com a bolha dos altos salários sendo constantemente ampliada com as transferências de Tévez, Oscar, Hulk, Pellè e companhia para o outro lado do globo.

Oscar-SIPG

Para se ter noção, gastaram mais de US$450mi em transferências no ano passado e só com brasileiros já foram mais de R$1,5bi nos últimos 5 anos. Isso tudo, deveu-se a uma política de incentivo do governo de chinês para atrair investimentos ao seu mercado; mas a visão é estratégica: não abrem mão do limite de estrangeiros, são permitidos apenas goleiros chineses e para esta janela já foram definidos impostos de 100% sob as transferências. O motivo: incentivar a formação de atletas locais, para, como estabelecido no 13º Plano Quinquenal, se tornarem até 2050 uma seleção de ponta. O projeto esportivo do país de Xi JInping é focado para o longo prazo e busca espantar aventureiros de primeira viagem.

Os impostos certamente são exorbitantes e não valeriam a pena o investimento voltado para transferências. Está muito desatento quem, contudo, noticiou que os fluxos de capital chinês resfriariam nessa janela de verão do futebol europeu. Nos últimos 2 anos mais de €1.2bi entraram na Europa por meio da compra de ações de 5 grandes clubes europeus (Manchester City, Milan, Inter de Milão, Atlético de Madrid e Espanyol), o que mostra o soft power (influência) dos investidores chineses, que já planejam abrir filiais e escolas dos gigantes no país de maior população do mundo.

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Ou seja, quando acharam que os impostos barrariam os investimentos chineses, eles vieram com mais caminhões de notas. É certo que o investimento não é mais direto no país, mas o legado que poderá deixar na China é incalculável, podendo-se até especular uma revolução esportiva para a segunda metade do século (como promete o plano).

Por fim, lembra-se dos nomes citados no começo da matéria? Provavelmente não, mas é bom guardar, pois são respectivamente o novo dono do Milan e o acionista do grupo Wanda que detém 20% do Atleti e 13% da parte azul de Manchester. Falando de mainstream, para se ter mais noção dos números: Yonghong já traz consigo uma reformulação de elenco e botou na mesa €189.5mi para reforçar a equipe rossonera enquanto o grupo de Jianlin pagará €10mi por temporada e €15mi para dar nome respectivamente ao novo estádio e à cidade esportiva dos colchoneros.

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