O SUMIÇO DE EZEQUIEL BARCO NA MLS

Por Pedro Cuenca

Em dezembro de 2017, Ezequiel Barco tinha a grande noite de sua curta carreira. Diante de um Maracanã lotado, o menino de apenas 18 anos pegou a bola e, com muita personalidade, bateu a penalidade que empatou o jogo contra o Flamengo, calando o estádio mais conhecido do futebol mundial. Alguns minutos depois, o Independiente se sagrava campeão da Copa Sul-Americana e o jovem tinha um papel fundamental na conquista. Quase um ano depois, Barco está no Atlanta United e teve uma temporada 2018 para esquecer. Mas o que mudou nesse período para a promessa argentina?

Contratado pelo Atlanta United em janeiro, Barco foi imediatamente questionado pelos fãs de futebol. Muitos achavam que ele estaria desperdiçando seu promissor talento na Major League Soccer, um torneio considerado de ‘segunda linha’, sendo que poderia estar disputando algum torneio europeu. Os altos valores oferecidos pela equipe americana e o poder de convencimento do técnico Tata Martino, porém, fizeram a diferença. O problema é uma lesão muscular em fevereiro, na véspera do início da temporada, atrasando sua preparação.

Quando Barco finalmente teve sua chance, tinha perdido cinco partidas e o primeiro mês da competição. O Atlanta já fazia boa campanha, mas outras peças do elenco mostravam que seriam importantes para a equipe americana. O alemão Julian Gressel e o paraguaio Tito Villalba ganharam destaque nas pontas da equipe, deixando Barco sem tanto espaço nos primeiros meses. Centralizado, Miguel Almirón era peça intocável. Começava aí a sequência de problemas para o recém-contratado Barco.

Em 26 aparições durante a temporada, Ezequiel Barco começou como titular em 19 oportunidades, mas só marcou quatro vezes e deu três assistências, números baixos para quem se destacou no futebol argentino. O estilo de jogo da MLS, de transição rápida e bolas longas para os pontas seria ideal para o jovem, mas ele não conseguiu aproveitar de forma decente durante o ano inteiro. Acabou virando uma mera opção no banco de reservas. Para Junior Ribeiro, jornalista e especialista na Major League Soccer, Barco foi decepcionante em 2018. “O argentino parecia estar um nível abaixo dos demais. Foi discreto, tocando de lado, pouco encarava os marcadores, tímido, números baixos”, afirma.

Um ano depois de conquistar a Sul-America, Barco vive um período para se esquecer.

Um ano depois de conquistar a Sul-America, Barco vive um período para se esquecer.

Para piorar, Barco ainda se envolveu em uma enorme polêmica durante a temporada. Em julho, ele foi afastado da equipe por três jogos. O motivo? O jogador deu em cima da namorada de um companheiro de equipe e foi descoberto. O clima com o elenco desmoronou e o técnico Tata Martino ficou bem insatisfeito com a atitude do jovem. Esse, talvez, tenha sido o ponto mais baixo dele durante o ano.

Para 2019, sem o técnico Tata Martino, Barco terá que desdobrar para não provar que não foi um fracasso na MLS enquanto muitos apostavam que teria sucesso em grandes ligas europeias. Com o Atlanta United cada vez mais consolidado como uma força da liga, e talvez sem Almirón, o jovem de 19 anos terá que assumir a responsabilidade e se tornar uma peça-chave do elenco, não apenas um auxiliar que ajuda de vez em quando. “Para um jogador como ele, a pressão vinda da MLS não pode atrapalhar. É natural que ele consiga superar qualquer cobrança da pacífica liga”, diz Junior Ribeiro.

Neste momento, o Atlanta United está nos playoffs da Major League Soccer. A equipe fez grande campanha ao longo de toda a temporada e foi a segunda melhor equipe, no geral, perdendo apenas para o NY Red Bulls, mesmo sem tanta ajuda de Barco. O jovem argentino que chegou como grande promessa, foi se apagando ao longo do ano e, hoje, não é fundamental para o time. No mata-mata, porém, tudo pode mudar. A verdade é que Barco, destaque do Independiente, precisará se reinventar na MLS para não virar ‘flop’, mesmo tão jovem. No próximo ano, terá a chance de fazer a pré-temporada com o time, se redimir com o elenco e voltar a ser protagonista. Afinal, para quem calou o Maracanã, ser destaque na MLS não é o maior dos desafios.

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