NOS EMBALOS DE MBAPPÉ

Por @RGomesRodrigues

Enquanto Didier Deschamps escalou o onze que encontrou de melhor para competir durante a Copa, Roberto Martínez novamente moldou sua equipe com o objetivo de garantir sucesso sob o adversário. Se contra o Brasil, a Bélgica realizou sacrifícios defensivos para liberar seus atacantes para o contra-ataque, contra a França a situação foi diferente. Ao seguir com o 3-4-3 com a bola, os belgas fizeram a bola circular nas zonas mais densas sem ser agressiva para mover as linhas da França e explorar o lado débil do rival, que na sua faixa direita não tinha Kylian Mbappé defendendo junto com Benjamin Pavard e via Paul Pogba sendo arrastado de acordo com a movimentação de Marouane Fellaini. Com isso, o ala esquerdo da ocasião, Eden Hazard, acabava encontrado Pavard sozinho e as melhores ocasiões da Bélgica passaram pelos pés do jogador do Chelsea. Uma finalização do jogador do Chelsea, que não foi no rumo do gol pelo desvio providencial de Raphaël Varane, acabou gerando um escanteio no qual Hugo Lloris realizou uma das defesas do Mundial ao evitar que a finalização de Jan Vertonghen encontrasse o fundo das redes.

Se o ataque funcionou bem no início do jogo, a postura defensiva mostrou ser algo vulnerável com o passar dos minutos. Nem a organização, atacada por Kylian Mbappé pela direita e tendo Lucas e Blaise Matuidi como os motores para fazer o jogo fluir pela esquerda, nem a transição defensiva, que foi engolida pelos movimentos sem bola e toques essenciais de Antoine Griezmann, foram suficientes para parar a França até perto da área de Thibaut Courtois, que interveio num momento chave aos 40 minutos para evitar o 1 a 0 de Pavard após grande jogada gerada por Mbappé.

Após um início de jogo muito forte, a França melhorou seu desempenho e foi através de N’Golo Kanté, interceptando, e Griezmann que encontrou a luz para suas transições serem fatais como desejam no papel. Mas a falta de acerto, caracterizada por um Olivier Giroud pouco afiado, acabaram colocando as oportunidades criadas com potencial de gol para fora.

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Entretanto, como joga sempre no limite, para o bem e para o mal, a França viu Samuel Umtiti falhar numa intervenção fundamental para impedir a bola de chegar em Romelu Lukaku na última ocasião da primeira etapa, dando a sensação de que quem cometesse o menor erro seria punido fatalmente no contexto da partida.

E, como aconteceu em boa parte dos jogos na Copa, o 1 a 0 também saiu em jogada de bola parada. Com a agressividade de Mbappé sendo o motor da França desde o início da segunda etapa, os Bleus acabaram conseguindo a vantagem no placar com Samuel Umtiti.

A partir daí, Didier Deschamps se mostrou cada vez mais cômodo com o resultado mínimo e a França recuou linhas com o avançar dos minutos ao ponto de Pogba baixar até a linha dos zagueiros para defender a ameaça de Fellaini perto de sua área. Enquanto a Bélgica buscou reagir com a entrada de Dries Mertens e Yannick Ferreira-Carrasco, com Kevin De Bruyne sendo recuado para trabalhar na base da jogada e Eden Hazard realizando mais uma partida de líder em relação à técnica e criatividade, a França não só resistiu, como ainda somou algumas ocasiões com campo aberto para agredir Courtois.

A grande partida de jogadores como Varane, Matuidi, Kanté e Pogba para resistir aos ataques e conter o adversário, considerando que por si só todos os nomes citados apresentam uma grande garantia ao sistema de Didier Deschamps em diversos aspectos e que a Bélgica também sofreu para furar o bloqueio estabelecido pelo rival, fez com que testemunhássemos hoje a grande partida caracterizada pela efetividade por parte da França durante 90 minutos e agora a seleção de grandes nomes e de um futebol sólido está a um jogo de garantir o bi-campeonato do mundo na Rússia.

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