LIBERTADORES ELEVA O NÍVEL DE DIFICULDADE. SARRAFO SÓ DEVE AUMENTAR DAQUI EM DIANTE.

Por Leo Gomide

No texto publicado aqui no FOOTURE no dia 23 de janeiro Link abordei sobre a devida atenção que devemos ter para analisar o desempenho de um clube considerado grande em jogos válidos pelo Campeonato Estadual. Na oportunidade, tracei um paralelo entre o que o Atlético havia apresentado contra o Boa Esporte, na estreia do Mineiro 2019, e um jogo válido pelo Brasileirão do ano passado.

Na última terça-feira (5) o time de Levir Culpi estreou na Copa Libertadores enfrentando o Danubio. O Galo saiu do Uruguai com um empate em 2 a 2, mas criou oportunidades para ter aberto uma vantagem maior para o jogo de volta, marcado para o dia 12 deste mês, em Belo Horizonte. Porém, chamo novamente a atenção para o que foi imposto e exigido pelo adversário ao Atlético durante a partida deste meio de semana.

Como dito no mesmo texto, as ações dentro de um jogo de futebol servem para responder as perguntas que o cenário da partida apresenta. Jogadores agem em cooperação com seus companheiros e em oposição aos adversários. Assim, entram as estratégias de cada time e técnico: quais espaços individual e coletivamente um time deseja ocupar no campo de jogo? Qual o tipo de ação cada jogador terá dentro deste respectivo espaço? Ou seja, mesmo em um jogo que com alto grau de imprevisibilidade, é necessário saber previamente o que fazer, quando, onde e como agir nestes espaços. Seja ao atacar ou defender, o que chamamos de referências de ação e espaço.

E ficou claro que o contexto enfrentado pelo time mineiro esteve bem diferente de jogos como contra Boa e URT, quando o Atlético aplicou goleadas e pouco foi exigido ofensiva e defensivamente. E com estratégias de Danubio e Atlético bastante distintas.

Na estreia pelo Estadual contra o Boa o Atlético não teve em nenhum momento da partida posse de bola inferior ao adversário, no total o número foi de 61% x 39%. Já diante da URT o predomínio da posse esteve com o time do interior apenas entre os 15 e 30 minutos do segundo tempo, sendo no geral 62% x 38%.

Na última terça-feira registrou-se quatro alternâncias de maior posse de bola durante o jogo (veja na imagem 1), algo que o Atlético havia experimentado somente contra o Cruzeiro.

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Um dos fatores que contribuiu para o time de Levir ter total controle do jogo diante do Boa e da URT foi a passividade dos dois times em tentar retomar a posse da bola já no campo ofensivo. Somando os números da dupla interiorana contra o Atlético, foram 19 recuperações de bola no campo adversário. Já o Danubio, em 90 minutos, conseguiu 17 recuperações no campo defensivo do Atlético (veja na imagem 2).

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Reflexo da maior pressão exercida pelos uruguaios, principalmente no primeiro tempo, quando chegou a colocar cinco e até seis jogadores no campo ofensivo afim de inibir a construção das jogadas atleticanas (veja na imagem 3).

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Um comportamento diferente ao do Galo, que adotou a estratégia de recuar as linhas e buscar as retomadas já no campo defensivo, o que chamamos de bloco baixo. Foram nove recuperações no campo do Danubio.

Além de ter alternado a posse de bola com o Atlético durante o jogo, o Danubio soube o que fazer quando tinha o domínio da mesma. Marcelo Méndez, em entrevista ao FOOTURE, havia destacado que sua ideia é de buscar ser o protagonista. Para isso, utiliza-se principalmente de referências estruturais ao atacar o jogo apoiado (formação de mais de uma linha de passe para quem está com a bola), ultrapassagem (opções que se sempre se deslocam à frente da linha da bola). Quando atacou o Atlético, em 13% das vezes o Danubio conseguiu colocar um passe para dentro da grande área, com dois gols convertidos desta forma. (veja imagem 1). Contra Boa e URT estes números foram de 6% e 2,8%, respectivamente.

Porém, a ideia de Méndez em tentar fazer o Danubio ser protagonista, no jogo literal e prático de perguntas e respostas de uma partida de futebol, leva o time uruguaio a assumir riscos. Algo que o Atlético soube explorar para a construção do primeiro gol do jogo.
O Danubio tem como princípio iniciar as jogadas com três atletas no campo defensivo (os zagueiros Renzo Ramirez e Ernesto Goñi, mais o volante Montes, na maioria das vezes). A ideia é desta forma já posicionar os demais sete jogadores no campo ofensivo, abrir linhas de passe já no ataque e caso aconteça a perda da bola ter um número significativo de jogadores para iniciar a pressão no adversário.

Contudo, ao ter um passe neste início de construção da jogada interceptado, os zagueiros estão espaçados e com os laterais e demais meio-campistas adiantados, o que dificulta a transição defensiva. Espaço que Cazares aproveitou para assistir a Ricardo Oliveira (veja imagem na imagem 4).

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Curiosidade:

Para ilustrar um pouco mais esta ideia de Marcelo Méndez veja o comparativo de passes dos goleiros Victor e Cristoforo, assim como, dos volantes Montes e Adilson. Foram poucas as bolas lançadas com o pé ou mão pelo goleiro do Danubio, ao contrário de Victor. Os passes de Montes mais verticais do que de Adilson. (veja nas imagens). O Atlético buscou um jogo mais direto e acelerando nos espaços deixados pelo Danubio.

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Na próxima semana Atlético e Danubio se reencontram, mas desta vez no Horto. Circunstância que pode fazer com que o Galo seja o time a exercer maior pressão no campo ofensivo, em comportamentos com e sem a bola. Porém, independentemente do que aconteça na partida de volta, ficou evidente que no jogo do Uruguai o sarrafo subiu e a dificuldade foi maior. Exigências que estarão com maior frequência no caminho do Atlético se comparado ao Estadual. Algo destacado por Levir na coletiva: “o Atlético vai subir de produção, tem que subir de produção”.

 

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