GUIA DAS SEMIFINAIS DA LIBERTADORES DA AMÉRICA

Por Redação Footure

As semifinais da Copa Libertadores chegaram! Faltam quatro jogos para Grêmio, River Plate, Boca Juniors ou Palmeiras se sagrarem os donos da América. O Footure não podia ficar de fora destes grandes duelos e, por isso, chegou a hora de analisar como se portam estas quatro equipes. De que forma se portam, quem são seus destaques e quais as principais armas para os confrontos. Com o apoio do InStat, a nossa equipe buscou apresentar quem são estes semifinalistas. Vamos invadir a América?


GRÊMIO, por Gabriel Corrêa

Atual campeão da Libertadores, o Grêmio agora visa o bi sob a tutela de Renato.

Atual campeão da Libertadores, o Grêmio agora visa o bi sob a tutela de Renato.

A defesa tem três pilares: Marcelo Grohe, Geromel e Kannemann. O argentino tem sido o expoente em 2018. Sem a mesma proteção na defesa e mais espaços, Kannemann tem se destacado por suas interceptações e vitórias nos duelos 1×1, como podemos ver na imagem abaixo no duelo contra o Atlético Tucuman, na Argentina, onde o zagueiro segurou as pontas nos primeiros minutos e depois manteve o ritmo para não dar chance aos mandantes.

Interceptações e duelos 1x1 vencidos por Kannemann no duelo contra o Tucumán, na Argentina

Interceptações e duelos 1×1 vencidos por Kannemann no duelo contra o Tucumán, na Argentina

No meio, a indefinição após a saída de Arthur em quem seria o parceiro de Maicon. O capitão do Grêmio é o jogador que representa o estilo do Tricolor. Um meia de origem, mas que começou a jogar mais recuado com o passar do tempo, pode não ter o vigor físico para correr atrás de seus marcadores, mas tem um senso de posicionamento que permite muitas vezes se movimentar como o primeiro volante. “La pelota sempre al diez”, dizem os argentinos. Bem, no Tricolor, a bola sempre no 8. É Maicon quem decide a hora de acelerar ou diminuir o ritmo da partida. Um exemplo claro foi no jogo contra o Estudiantes, onde o Grêmio dominou do início ao fim.

Na partida contra o Estudiantes, foram 146 passes e o controle absoluto da partida na Libertadores.

Na partida contra o Estudiantes, foram 146 passes e o controle absoluto da partida na Libertadores.

Por fim, no ataque, o Grêmio não irá contar com seu principal atleta na temporada: Éverton. O ponta esquerda, lesionado, perde a partida de ida e será substituído por Alisson. Se mantém a características de velocidade, drible, vitória pessoal e finalização, porém com menos qualidade que vem apresentando o camisa 11. Por outro lado, Luan tem mostrado principalmente na Libertadores porque se trata de um dos principais jogadores do Brasil – e da América do Sul. No jogo contra o Tucumán, atuando como um falso 9, foram oito passes chaves, arrancadas com a bola e dribles que relembraram seu grande momento na final da Libertadores de 2017.

Foram oito passes chaves atuando como falso 9, no duelo contra o Tucumán.

Foram oito passes chaves atuando como falso 9, no duelo contra o Tucumán.

O Grêmio pode não estar na mesma forma de 2017, mas ainda possui muitas armas para brigar pelo bicampeonato da Libertadores. A questão é como irá se portar num duelo onde o adversário (River Plate) também gosta de ter a bola.


RIVER PLATE, por Bolívar Silveira

Marcelo Gallardo busca seu terceiro título de Libertadores, o segundo como técnico.

Marcelo Gallardo busca seu terceiro título de Libertadores, o segundo como técnico.

Mais uma vez estamos vendo o camaleônico Marcelo Gallardo levar o seu potente River Plate para as fases finais de uma competição internacional. Muitos jogadores saíram e chegaram, mas o milionário de Nuñez segue um time dificílimo de ser batido. E muito dessa solidez deve-se ao capitão, único jogador remanescente desde os primeiros de Gallardo no comando da equipe.

Leonardo Ponzio é o patrão do meio campo milionário. Dono de uma vitalidade física invejável, o volante não demonstra a idade, apesar de seus 36 anos. Atua como o primeiro volante, sendo o protetor do funil, sempre resguardando os pilares da defesa, Pinola e Maidana. Ponzio protege com bom tempo de bola para desarmes e interceptações, como também com pressão ao portador. Antes de ser atacado, ele mesmo ataca o adversário. Roubando a posse ou retardando o ataque. Vejam o vídeo com alguns lances de pressão do Ponzio e o seu desempenho InStat na partida contra o Sarmiento:

Ponzio

A pressão do River Plate é muito importante e dita a qualidade do desempenho. Pois a maioria dos ataques saem de roubadas de bola no campo ofensivo, que se dão por essa pressão, e que chegam até o gol adversário com poucos toques. A partida contra o Independiente pelo jogo de volta das quartas de finais ilustra muito bem essa pressão-transição que o River Plate pratica. O gráfico de roubadas de bola, dividindo o campo em três setores, ressalta essa inclinação dos argentinos em roubar a bola no campo de ataque.

imagem 2

Uma peça importantíssima no jogo do River Plate se chama Exequiel Palacios, que inclusive já foi personagem do Unboxing. Mais uma vez um jogador vindo das canteras e resolvendo no grupo principal, assim como ótimo lateral Montiel. Palacios agrega muito na pressão no meio de campo do River, além de possuir uma leitura talentosíssima para achar espaços. Ele circula por todo o campo, sempre oferece ligação para ataques e quando chega próximo à  área costumeiramente acha passes mágicos para os companheiros. Analisem o gráfico de Exequiel Palacios e entendem porque muitos o chamam de todocampista.

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Muito falamos da maneira pressionante e eficaz que o River ataca, mas é necessário entender também da maturidade defensiva da equipe. Pinola, Maida e Armani são peças selecionáveis e muito experimentadas, de conhecida qualidade. Entretanto, há algumas maneiras de furar essa zaga que segurou uma sequencia de 32 partidas sem perder. E Gigliotti pelas quartas de finais mostrou o ponto fraco defensivo. O time de Gallardo, no momento que sofreu o gol, buscava ampliar o placar e se jogou ao ataque. Subindo as linhas, a zaga se distanciou do gol, deixando um espaço que atualmente a dupla de zaga já não possui tanta velocidade para reagir e cobrir esse espaço. Talvez aí esteja um ponto para o tricolor gaúcho experimentar.


PALMEIRAS, por Mairon Rodrigues

Felipão voltou ao Palmeiras e recolocou a equipe nos trilhos.

Felipão voltou ao Palmeiras e recolocou a equipe nos trilhos.

Palmeiras chega a semifinal contra o Boca em meio a uma troca de treinador na temporada, mesmo com a melhor campanha da primeira fase; foram 16 pontos e ainda teve a vitória contra o Boca em plena Bombonera. O elenco super estrelado com Dudu, Felipe Melo, William, Diogo Barbosa, o artilheiro da Libertadores 2016 e campeão com o ótimo Atlético Nacional. Mas não foi o bastante pra manter Roger Machado no comando. Chegou a “múmia” Felipão. Por onde o homem vai, coloca uma faixa.

E ele chegou colocando o Palmeiras com um jogo menos elaborado, mas extremamente seguro na defesa e cirúrgico no ataque. Um gol sofrido em quatro jogos e seis marcados. O time é cada vez mais físico, diferente do comandado por Roger. O treinador anterior gostava de ter um time mais propositivo e com o toque de bola fluído, o atual simplifica o processo. Lucas Lima, que chegou referendado pelo estilo de Roger como jogador criativo, foi sacado e o Palmeiras engrenou depois que ele deixou o time. O processo exige menos toque, mais verticalidade, e por isso, coloca Deyverson a frente e ele batalha pela primeira bola sempre, com imposição física e aérea. Se ele ganha, alguns jogadores saem de trás e verticalizam o jogo sempre. Principalmente com Dudu, esse mais por dentro, Moisés e Bruno Henrique que faz um 2018 acima da média.

Sustentação defensiva: Com Felipão é um time que defende, se sustenta e depois tenta atacar. E, vejam bem, não digo que o Palmeiras é chato, feio e bobo. O Verdão é sólido. Com Felipão tomou um gol em quatro jogos. Mas por que? É um time que se protege. Palmeiras usa a “saída sustentada” já no início do seu jogo. Os laterais não espaçam tanto o campo, os dois volantes, ou três, ficam dentro de seu campo. É um time que joga em 5-5, se perde a bola tem cinco jogadores atrás dela prontos para recuperar. Chutar no gol do Palmeiras também é uma tarefa árdua. O funil é muito fechado com Thiago Santos, considerado um patinho feio e é importantíssimo nos planos de Felipão.

Desarmes do Palmeiras x Colo-Colo

Desarmes do Palmeiras x Colo-Colo

Embates Físicos: Pernas, o Felipão aposta em pernas. E é bem coerente com sua carreira, times de bom potencial técnico mas que não abdicam dos embates. É uma média alta de embates, mas é um time que desarma muito: 37 tentativas de desarme, 58% de acerto, sua maioria no meio-campo. Felipão é um dos treinadores que vê o jogo, ou a batalha, sendo ganha no setor. O time ali perdeu pensadores que Roger queria como Lucas Lima ou Alejandro Guerra, mas ganhou em fibra. O que deixa a defesa mais sólida. A bola aérea do Palmeiras é muito efetiva, 52% de vitória. O quarteto defensivo, mesmo com perseguições mais longas, joga muito protegido e desarma com intensidade. Até Edu Dracena, com alguns problemas de mobilidade, vai bem.

Interceptações do Palmeiras x Colo-Colo

Interceptações do Palmeiras x Colo-Colo

Contra-ataque e efetividade: O Palmeiras é um time que circula pouco a bola, a despeito da qualidade dos seus jogadores, busca o jogo mais vertical. Deyverson, outro dos patinhos feios do elenco, vem exercendo papéis importantes. Primeiro: ele dá a profundidade necessária pra Dudu, William e Moisés virem com a bola dominada, empurrado a defesa pra trás. O Palmeiras matou o Colo-Colo em casa uma jogada dessa, com um golaço do Dudu. Palmeiras cria pouco, por vezes quase nada, mas é efetivo.

Palmeiras vai para a Bombonera na quarta-feira com chances de obter bom resultado, o time é sólido, é uma rocha. O Verdão é um Boeing e Felipão tem o mando do manche.


BOCA JUNIORS, por Bolívar Silveira

A grife do Boca Juniors chegou na semifinal e a força de sua torcida, aliado a um time com jogadores de Seleção pode buscar mais uma taça.

A grife do Boca Juniors chegou na semifinal e a força de sua torcida, aliado a um time com jogadores de Seleção pode buscar mais uma taça.

A “Seleção da América” finalmente chegou a semi-final da Libertadores. Após um começo trôpego, onde garantiu sua classificação na última rodada,  frente ao Palmeiras, mesmo rival dos próximos duelos. Para os supersticiosos xeneizes, o enredo esta montado e já vimos essa história outras vezes, com final feliz para o lado azul e ouro da Argentina.

Guillermo Schelloto tem mandado a campo uma equipe postada no 4-3-3, onde o seu meio-campo geralmente transmite qual sua estratégia para sua partida. Por ter muitas peças, o treinador consegue trocar o estilo da equipe, alterando os jogadores de meio. Quando quer um time mais brigador e físico a formação costumeiramente conta com Pablo Pérez, Barrios e Nandez. Quando precisa de maior geração de jogo e controle da posse, utiliza Almendra, Barrios e Gago. Reparem que o único jogador que não alterna é Wilmar Barrios, o camisa 5 é responsável por resguardar o funil da equipe. Jogador bastante posicional, com boa reação e poder de destruição.

O camisa 5 do Boca, Wilmar Barrios, é que protege a defesa. Na imagem, os locais onde

O camisa 5 do Boca, Wilmar Barrios, é que protege a defesa. Na imagem, os locais onde ele recupera bolas, intercepta passes e bloqueia chutes.

Mesmo em alguns jogos sendo suplente, Pablo Perez é expoente técnico e psicológico da equipe xeneize. Não a toa é o capitão da equipe, o volante possui ótima reação e vigor físico, característica importante para a briga pela segunda bola, muito importante para a maneira do Boca atuar. Com a bola Pérez também é um ótimo organizador, encosta nos dois lados do campo e gira a bola. Entretanto, com a volta do Gago, o treinador terá uma grande dor de cabeça, pois o camisa 8 e o ídolo boquense possuem características muito semelhantes e não se entenderam muito bem nos jogos que atuaram juntos até aqui.

Pablo

Pablo Pérez é quem rege a equipe desde a lesão de Fernando Gago.

Dentro do campeonato, o Boca teve o polêmico e grande reforço de Mauro Zárate, menino de Liniers, que deixou o Vélez pela chance de conquistar a América.  Zárate pode atuar tanto pelos lados como por dentro, como um camisa 10 mais móvel e direto. Quando possui a bola, termina a ação rapidamente e muitas vezes com finalização.

Outro jogador de extrema importância para o ataque xeneize é Cristian Pavón. O atacante pode atuar como ponta direito ou esquerdo, é quem puxa os contra-ataques e recebe os passes longos de Pérez e Zárate. Possui a troca de direção e a velocidade como os seus aliados. Guillermo Schelloto o troca de lado durante todas as partidas, o que inferniza os laterais adversários.
Pavon

Apesar do elenco galáctico, o Boca Juniors não produz um futebol de domínio e deleite aos guardiolistas de plantão, seu futebol é direto. Vejamos o quadro com a origem dos gols feitos. Em sua grande maioria gols de bola parada, Boca tem ótimos jogadores para o jogo aéreo e muito bons batedores. E os gols com bola rolando se dão com pouca troca de passes, geralmente 2 ou 3, o último longo. Analise a figura da partida contra o Racing.

Gols Boca

Passes

Defensivamente a equipe mais popular da Argentina não tem tranquilidade. A defesa foi muito criticada no começo da temporada, com isso a direção buscou um novo zagueiro, Izquierdoz, e um novo goleiro, Andrada. Entretanto, sofreu graves baixas para a parte final do campeonato, o próprio Andrada, tendo que contratar um novo goleiro, e o companheiro de Izquierdoz, Pablo Goltz.

Magallan e Izquierdoz titulares da zaga possuem dificuldade contra centroavantes de força, a vitória no ímpeto físico não é a principal qualidade dos zagueiros. Já os laterais, Jara e Más, sofrem com bola nas costas a todo momento.  Comumente falham nos encaixes, quando o adversário varia muito os lados de ataque.

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