DESCOMPLICANDO: CONTROLE ORIENTADO DA BOLA

Por Eryck Gomes

Ao fazer uma avaliação acerca da evolução do futebol no decorrer da história, podemos citar a preparação física – marco na Copa de 1970, no México – como um dos principais fatores responsáveis pelas mudanças na dinâmica do jogo. Quando um time se torna mais veloz, pode ocupar espaços com eficácia, consequentemente. Desta forma, dispor de peças que tenham facilidade de encontrar “vazios” passa a ser uma vantagem na busca por um resultado positivo. Entra aí, agora, a figura do jogador que domina o “Controle Orientado da Bola”.

Às vezes, o surgimento de novos termos no futebol gera estranheza. Isso não acontece com o intuito de criar barreiras ou algum tipo de segmentação – é o inverso. Muitos estudiosos têm buscado nomear momentos, movimentações e gestos diversos de uma partida justamente para simplificar a compreensão do que está sendo praticado. O termo “Controle Orientado”, em resumo, é uma característica carregada por jogadores que conseguem, ao dominar a bola, carregá-la para um espaço vazio de maneira imediata. Esse atributo permite que o jogo tenha um melhor trânsito, tornando as ações de posse mais fluidas.

A expressão não diz apenas sobre a competência em si. É necessário também ter senso de espaço-localização para mapear bem onde está posicionado e antever a ação do adversário – para poder escolher o lado oposto e contornar a situação de pressão. É fácil observar atletas com essa característica movimentando bastante o pescoço durante os jogos.

Claro, a habilidade não tem o poder de funcionar sozinha. É preciso que todos se posicionem de forma que potencialize as opções de saída da zona de aperto. Dentre os vários princípios estruturais de ataque, apoio e mobilidade são os dois que têm papel fundamental na construção de oportunidades para o Controle Orientado da Bola.

Como exemplo deste conceito, usemos um dos times recentes com maior concentração de atletas com essa marca: o Barcelona de Pep Guardiola. Xavi, Iniesta, Busquets e Messi, com apenas um toque na bola, conseguem encontrar a melhor alternativa para o prosseguimento de uma jogada. No caso dos catalães, essa especialidade faz parte do processo de formação nas categorias de base – carregada por Guardiola desde a época em que vestia a camisa do clube.

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Xavi_Hern_ndez_Skill_Dribble_FC_Barcelona_2010_2011_Season (1)

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Hoje, os Blaugrenas apostam em um cara que se destaca nesse manejo: o brasileiro Arthur.

Esse tipo de comportamento é útil em qualquer uma das fases da partida. Receber um passe sob pressão na defesa, quebrar uma linha e ligar o ataque em velocidade; na fase ofensiva, em uma possível perda de bola, a fim de reorganizar a equipe e iniciar uma nova movimentação; e no controle propriamente dito, para manter a posse.

Outros pontos também se fazem importantes, como a referência corporal – em todas as fases do jogo. É preciso estar atento ao situar-se no gramado, levando em consideração a posição dos pés – para não conflitar com a rotação do tronco -, buscando sempre maximizar o campo de visão. Não dá para ter uma boa orientação no ato do domínio se o corpo estiver disposto de modo incorreto.

Um comentário

  • Paulo Vitor Martins da Silva 08 / 10 / 2018 Responder

    Muito bem analisado. A respeito do conceito, há alguma referência?

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