DEFENSOR DEVE TRAZER NOVO CENÁRIO PARA O ATLÉTICO

Por Leo Gomide

Atlético e Defensor iniciam na próxima quarta-feira (20) a disputa por uma vaga na fase de grupos da Copa Libertadores da América. Quem avançar estará no Grupo E ao lado de Cerro Porteño-PAR, Zamora-VEN e Nacional-URU. Para chegar à fase 3 da Libertadores, o Galo eliminou o Danubio, com placar agregado de 5×4. Já o Defensor desbancou o Barcelona na Fase 2. Antes, os uruguaios haviam eliminado o Bolívar, da Bolívia, na Fase 1. Mesma nacionalidade, novamente no Luis Franzini, mas desta vez o adversário a ser enfrentado pelo Atlético deve apresentar características bem diferentes às que o time de Levir Culpi encontrou diante do Danubio.

Na entrevista concedida ao FOOTURE pelo técnico do Danubio Marcelo Mendez, já havia ficado claro que Mendez é um treinador que preconiza a posse da bola para tentar ter um maior controle do jogo, utilizando princípios estruturais como o jogo apoiado, ultrapassagem e mobilidade ao atacar. Para progredir do próprio campo ao gol adversário faz uso da saída de bola com 3 atletas no campo de defesa (a ideia é desta forma já posicionar os demais sete jogadores no campo ofensivo, abrir linhas de passe já no ataque e caso aconteça a perda da bola ter um número significativo de jogadores para iniciar a pressão no adversário, porém, ao ter um passe neste início de construção da jogada interceptado, os zagueiros estão espaçados e com os laterais e demais meio-campistas adiantados, o que dificulta a transição defensiva)

Defensivamente mostrou-se um time que tem na pressão já no campo ofensivo uma de suas marcas, principalmente quando atuou como mandante. Priorizando uma marcação por zona e com a linha de defesa jogando afastada da própria meta. Estratégia que assume riscos. Riscos que o Atlético soube aproveitar especialmente com o entendimento de Cazares e Ricardo Oliveira.
Contudo, ao assistir e analisar os dois jogos do Defensor como local nesta Libertadores, fica difícil imaginar um time que tenha comportamentos similares ao Danubio. Assim como La Franja, a La Viola também trocou de treinador ao final da temporada 2018. Depois de três anos, acumulando 112 jogos, Eduardo Acevedo deixou o clube e o cargo agora é de Jorge da Silva.

Nas duas partidas como mandante, no geral, foram poucos os riscos que o Defensor se propôs a correr: menor tempo de posse da bola comparado ao adversário, organização defensiva buscando ter, no mínimo, 9 jogadores atrás da linha da bola e com a linha defensiva próxima à área (o que chama-se de bloco baixo), usando também uma marcação por zona, dificilmente optando por encaixes individuais.

Contra o Bolívar, Jorge da Silva organizou o Defensor defensivamente a partir de um 4-4-2 (veja na imagem 1).

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Já contra o Barcelona o sistema tático foi o 4-1-4-1 (veja na imagem 2).

IMAGEN2A linha defensiva pode ser formada pelo lateral-direito Gomez ou Beltran, o capitão Coto Correa, Perg ou Carrera, e o lateral-esquerdo Villoldo.
O volante Cristobal é o “1” caso a opção seja como contra o Barcelona. Sendo assim, poderia ser o jogador a ter maior atenção para impedir participação de Cazares ao organizar o Atlético ofensivamente. Ao optar por se posicionar com as linhas mais baixas, o embate físico se torna preponderante para o Defensor impedir que o adversário progrida ainda mais próximo à área defendida pelo goleiro Rodríguez. Assim, os desafios (leia-se todos os tipos de disputa, que inclui disputas por bolas neutras, desafios aéreos, desarmes, divididas de bola e perdas de posse após desarmes adversários) são maiores no campo de defesa, consequentemente. Vide o comparativo entre os jogos Defensor x Barcelona e Danubio x Atlético (veja as imagens 3 e 4). No geral, o número de desafios também é maior.
IMAGEM3_E_4Ofensivamente o Defensor se mostrou um time que não constrói possíveis oportunidades de finalização desde o campo defensivo, algo muito visto contra o Danubio. O ataque direto (bola longa para buscar a segunda bola já no campo ofensivo) se mostrou a principal característica contra Bolívar e Barcelona. Desta forma, os passes longos oriundos do goleiro Rodríguez, ou saindo dos pés dos zagueiros, para o pivô no jogo aéreo do centroavante Navarro ou do meio-campista Rabuñal é um comportamento típico dos comandados de Jorge da Silva. Para explicitar tal estratégia veja o mapa de passes de Rodriguez contra o Barcelona e os principais alvos que buscou o goleiro violeta. (imagem 5), assim como, o número de disputas aéreas durante o jogo contra o Barcelona, o dobro apresentada entre Danubio x Atlético. Mesmo assim um time que apresentou limitações para proteger os lados do campo.

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Em fase ofensiva, o Defensor se organizou em um 4-2-4 contra o Bolívar, mudando para o 4-3-3 diante do Barcelona. Algo bastante perceptível foi a formação do balanço defensivo do Defensor (número de jogadores e como estes se organizam para evitar um contra ataque do adversário). A linha de defesa do time uruguaio permanece, na maioria das vezes, praticamente intacta quando a equipe ataca, ou seja, os laterais Gomez ou Beltran e Villoldo tem pouca participação ofensiva. (veja nas imagens 6 e 7).

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Ao retomar a posse de bola no campo defensivo, o Defensor já se organiza para em poucos passes estar no campo adversário, explorando a velocidade de Laquintana ou Piquerez, mas principalmente do atacante pela esquerda Pablo Lopez. (veja na imagem 8).

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Dos 7 gols feitos pelos uruguaios na Libertadores, 57% foram em contra-ataques, 4 gols (imagem 9).

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Contra o pivô no jogo aéreo de Navarro ou Rabuñal, a dupla de zaga do Atlético terá de estar alerta. Pablo Lopez deve explorar a velocidade contra Patric/Guga. As faltas laterais buscando o cabeceio ofensivo do zagueiro Coto Correa é outra característica do Defensor. Um cenário diferente ao que o Atlético encontrou no primeiro jogo no Luis Franzini.

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