COMO O ARSENAL VENCEU O DERBY DO NORTE DE LONDRES

Por André Andrade

Durante toda semana o “North London Derby” trouxe a tensão para Londres. Arsenal e Tottenham jogaram no Emirates Stadium no duelo entre Emery e Pocchetino. O resultado? Uma vitória maíuscula do lado vermelho da cidade, de virada, por 4×2.

Mas como Emery e seus comandados levaram a melhor sobre Pochettino e cia?

Tudo começa com o planejamento tático. Emery escalou o time do Arsenal com 3 zagueiros, 2 alas, 2 volantes, 2 meias e 1 atacante. Dessa forma, buscava claramente ter intensidade e movimentação no meio-campo – já que Ozil ficou de fora do jogo, lesionado – para facilitar a pressão na saída de bola do adversário. Além da possibilidade de realizar jogadas mais verticais e, posicionando os meias um pouco mais pra dentro, deixar o corredor lateral para Bellerin e Kolasinac explorarem devido ao espaço e as suas qualidades físicas, diferentes, mas positivas para a equipe, mescladas com as viradas de jogo de qualidade de Xhaka e Torreira para gerar vantagens.

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Sem a bola, a ideia era de criar superioridade na zona do meio-campo e da defesa, controlando profundidade e amplitude formando uma linha de 5 que deixou Harry Kane apagado, até pelo excesso de bolas longas do Tottenham pela qualidade na pressão dos Gunners e conseguiu controlar Son.

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No início o Arsenal foi melhor que o Tottenham em termos de desempenho, com uma pressão bem encaixada e muita intensidade com e sem a bola, criando algumas chances que não balançaram a rede. Entretanto, o primeiro tempo foi uma montanha-russa no placar e no desempenho. O Arsenal abriu o placar com um pênalti e estava jogando muito melhor, mas após dois gols de bola parada, o Tottenham virou o placar e equilibrou as ações, no intervalo os visitantes venciam. e conseguiam levar perigo com algumas jogadas.

Na volta do intervalo, veio do vestiário o Cheque-Mate de Unai Emery. Saíram Mhiktaryan e Iwobi e entraram Ramsey e Lacazette.

Ramsey é um meia de muita mobilidade, leitura e exploração de espaços ofensivos, além disso consegue também realizar uma pressão excelente sem bola. Lacazette tem feito uma temporada excelente, é um atacante técnico e que chuta muito bem, explora bem espaços e se movimenta para se associar com seus companheiros. Com isso, Emery buscou um foco em atacar não só com mais relevância os espaços laterais, através de Kolasinac e Bellerin, que fizeram um partidaço, mas também o espaço e circulação interior, com as rupturas de linha de Ramsey, se associando com os atacantes. O Arsenal então ficou posicionado em uma espécie de 3–4–1–2.

Desse modo, a dupla Auba-Laca consegue se movimentar bastante, alongar e separar as linhas adversárias e também buscar movimentos de ruptura e associação no que chamamos de “meio-espaço”, ou para facilitar, o espaço entre o zagueiro e o lateral. Ocupando essa posição entre o zagueiro e o lateral rival, o jogador muitas vezes cria dúvidas no sistema de marcação, além de conseguir realizar superioridades posicionais, cinéticas e numéricas, possibilitando assim mais espaço-tempo para a realização das jogadas, e consequentemente uma possibilidade maior do resultado do lance ser positivo. Reparem no 2o e 4o gol as movimentações… No 2º, Ramsey aciona Auba e no 4º Torreira faz a movimentação no “meio-espaço” e sai na cara para definir.

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Outro aspecto muito importante para além da tática foi o aspecto da atmosfera que envolveu o Emirates, o estádio pulsou o jogo inteiro, torcedores em pé, cantando, agitados, e isso não foi nada mais do que reflexo da atitude mental dos jogadores em campo, se eram criticados nos últimos anos de Wenger pela postura em jogos grandes, o novo Arsenal da “Era Emery” é aguerrido, competitivo e intenso, pra pensar e para agir e continua sua série invicta de jogos na temporada, alinhando aos poucos o desempenho aos resultados. As comemorações dos jogadores comprovam, Emery instaurou uma nova mentalidade na equipe e o jogo também é mental, e muito.

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