COMO LIBERTARÃO A AMÉRICA

Por Bolívar Silveira e Dimitri Barcellos

As oitavas da Libertadores estão chegando e o Footure preparou um resumão das equipes que falam espanhol na competição. Analisamos os pontos fortes e fracos, as táticas utilizadas, os reforços que chegaram, os underdogs e alguns pontos para prestar atenção. ¡Dale, chabon!


ESTUDIANTES

Os Pincharratas, como são chamados, classificaram na bacia das almas para as oitavas de final da Libertadores da América e terão de enfrentar logo o atual campeão da competição e grande candidato à bicampeão. Os comandados por Lucar Bernardi atuam no 4-4-2 e não gostam muito de ter a posse da bola, podendo especular em contra-ataques rápidos. Ao menos era assim antes da janela de transferência, responsável pela saída de Juan Otero, líder técnico dos contra-ataques. Além de Otero, o Estudiantes também perdeu Gaston Giménez para o Vélez Sarsfield e Desábato que se aposentou.

Ponto forte

O Estudiantes é uma equipe muito vibrante com e sem a bola, não há jogada perdida.  Essa força se reflete em resultado no segundo tempo das partidas, quando saem os gols. Apesar da avançada idade de seus destaques, a equipe gosta de construir o resultado nos minutos finais das partidas.

Outro fator digno de destaque é Rodrigo Braña, entre idas e vindas desde 2008, o meio campista lidera o time de La Plata. Tanto defensivamente, onde orgulha o ídolo máximo dos leões, ‘El Doctor’ Bilardo,  desarmando e duelando cada dividida; como ofensivamente, onde distribui as jogadas de ataques e costumeiramente acha um passe em profundidade para Lucas Rodrigues.

Ponto fraco

A bola aérea defensiva é claramente um problema crônico. A marcação individualizada por muitas vezes falha. Os marcadores acabam fracassando devido à pouca velocidade ou até mesmo a baixa estatura. Geralmente há alguém livre nos escanteios defensivos.

Quando precisa buscar jogo, os treinados por Bernardi sobem ao ataque descompensados e deixam grande liberdade para o adversário. Santos e River Plate tiveram muita facilidade em contra-atacar os alvirrubros após abrirem o marcador.

O Estudiantes é uma equipe que se caracterizou por não desistir em nenhum momento. Em Quilmes, tem se saído muito bem.

O Estudiantes é uma equipe que se caracterizou por não desistir em nenhum momento. Em Quilmes, tem se saído muito bem.

Jogador importante: Rodrigo Braña

Apesar da idade segue sendo o meio campista completo que sempre foi, entregando toda sua garra defensivamente e distribuindo o jogo com qualidade, na fase ofensiva. Um líder dentro de campo, e se faz ainda mais importante após a saída de Desábato. Junto com o Andujar são os remanescentes da grande conquista de 2009.

Underdog: Fernando Zuqui

Destaque pelo Godoy Cruz há algumas temporadas atrás e, posteriormente, contratado pelo Boca Juniors ( onde não teve muita oportunidade), o meio campista parece ter reencontrado o bom futebol em La Plata. É o grande controlador dos Platenses.

Fique de olho

O Estudiantes de La Plata não costumam deixar barato em Quilmes. O primeiro jogo é a grande chance de classificação dos argentinos. O estádio deverá estar lotado e o confronto contra o Grêmio é um clássico desde 1983.


BOCA JUNIORS

Club Atlético Boca Juniors, mas pode chamar de seleção da América do Sul. O presidente do clube, Angelici, montou um elenco estrelado para conquistar a tão almejada Copa Libertadores. Troféu que ainda falta para o seu mandato.

Os grandes jogadores estão sob comando de Guillermo Schelloto que monta a equipe em um 4-3-3. No setor de meio Bebelo Reynoso, Pablo Perez e Nahitan Nandez oferecem pegada, ritmo e passe de ruptura. Tudo que um treinador precisa. Mais a frente, no setor de ataque: Carlos Tévez, Edwin Cardona, Cristian Pavon, Mauro Zárate, Dario Benedetto e Wanchope Ábila são as ótimas opções nessa profusão de avantes.

Ponto forte

O setor ofensivo Xeneize oferece muitas opções; Jogo físico com Áblia, Benedetto e Tévez. Qualidade para drible contra retrancas com Pávon, Tévez e Cardona ou velocidade para contragolpes com Pavón e Mauro Zárate.

A quantidade de opções no elenco e o tempo de entrosamento entre os atletas são o ponto alto da equipe bostera. É difícil encontrar o “cobertor curto” na fase ofensiva do Boca Juniors.

Ponto fraco

Não encontramos cobertor curto na fase ofensiva, entretanto a defensiva nos oferece um banquete de pontos débeis. Praticamente todos os laterais são ofensivos. Atacar o espaço as costas dos laterais é um convite para os adversários, ainda mais com a falta de velocidade dos zagueiros Xeneizes.

Jogador importante: Pablo Pérez

O carregador de piano da seleção boquense. É a peça fundamental das transições, tanto ofensiva e defensiva. Possui ímpeto e intensidade para pressionar o portador na fase defensiva, como velocidade e qualidade para levar a bola até o último terço, sendo com passes fortes ou conduzindo a bola. Não atoa é o capitão.

Pablo Pérez é um faz tudo no meio-campo xeneize. O argentino é fundamental no esquema da equipe.

Pablo Pérez é um faz tudo no meio-campo xeneize. O argentino é fundamental no esquema da equipe.

Underdog: Sebastian Villa

Contratado há pouco, pode ganhar minutos pela Libertadores. Ele foi o destaque do Tolima na campanha do apertura colombiano. Possui passada larga para jogos que o Boca queira ser reativo e finaliza muito bem.

Fique de olho

O setor defensivo do Boca Juniors nunca passou muita confiança, por isso essa janela de transferência foi focada para fortalecer a defesa da equipe. O zagueiro Izquierdo e o goleiro Andrada foram contratados para trazer mais segurança e devem assumir rapidamente a titularidade. Vamos aguardar.


LIBERTAD

Os Repolleros chegam a mais uma fase de mata-mata de Libertadores ostentando seu estilo defensivo. Entretanto, sem treinador, devido à má campanha no clausura paraguaio. Para tentar melhorar o instável quadro a diretoria trouxe os experimentados Arévalo Rios e o uruguaio Salgueiro.

Ponto forte

O Libertad possui um jogo muito direto e com uso constante do pivô, então a presença de “Tacuara” Cardozo é mais do que necessária como uma referência ofensiva. Há muita ligação direta para o controle e distribuição do centroavante. Assim como o “latereio”, o lateral jogado na área para disputa aérea. Por sua altura e imposição, Cardozo é sempre uma ameaça para as defesas adversárias.

Ponto fraco

A transição defensiva na segunda etapa vem sendo um pesadelo para os repolleros. O confronto contra o Sportivo Luqueño quando tomou a virada nos últimos vinte minutos do segundo tempo é um grande exemplo dessa deficiência que causou o emprego de Aldo Bobadilla. Jogadores como Álvaro Ríos e Paulo da Silva já não conseguem suportar 90 minutos de alto rendimento.

Jogador importante: Oscar “Tacuara” Cardozo

Sem dúvida o destaque individual dessa equipe. Como referência ofensiva é quem possui a missão de fazer o pivô e ganhar os duelos aéreos. Em 2018 são 28 jogos e 13 gols.

Underdog: Ivan Franco

O garoto nascido no ano de 2000 surgiu após a venda do ótimo Jesus Medina ao Ney York City. É um extremo esquerdo de boa condução e drible. Demonstra também senso coletivo, é um jogador que distribui bem o jogo e se entrega defensivamente ao time. Qualidades difíceis de se encontrar em um jogador tão jovem.

O veterano Oscar Cardozo é a referência ofensiva. Acostumado a competição, faz o pivô e finaliza as jogadas do time.

O veterano Oscar Cardozo é a referência ofensiva. Acostumado a competição, faz o pivô e finaliza as jogadas do time.

Fique de olho

A pesada zaga do Libertad pode ter sérios problemas com um ataque mais veloz do Boca Juniors. Tendência é de facilidade para Cristian Pavón demonstrar tudo que sabe.


COLO COLO

Os chilenos chegam na fase de mata-mata sob o controle do ex-atacante Hector Tapia. Os caciques de Santiago gostam de atuar no 4-3-1-2, mas costumeiramente trocam para um sistema com três zagueiros para os avanços dos seus laterais ofensivos, formatando um 3-4-1-2.

O Colo Colo pega o Corinthians com a missão de acabar com a seca de chilenos nas fases finais das competições internacionais. Contra os brasileiros o panorama é pior ainda, das últimas 10 partidas são oito vitórias, um empate e apenas uma vitória.

Ponto forte

O grande nome do Colo Colo é bastante conhecido da torcida brasileira. Jorge Valdívia é o enganche dos colocolinos, atua nas entrelinhas de marcação do adversário sempre buscando o passe de ruptura. O jogo ofensivo obrigatoriamente passa por ele. Se Valdívia tem espaço e tempo, os chilenos levam vantagem na criação.

Zaldívia, o zagueiro pela direita, também merece destaque. É um zagueiro com ímpeto e vitalidade incríveis, sempre está no momento certo para afastar ou desarmar o adversário e ainda gosta e possui qualidade nas subidas ofensivas. Não raramente o zagueiro argentino intercepta um passe e arranca em velocidade começando o contra-ataque.

Ponto fraco

A bola aérea do cacique com certeza é um ponto frágil da equipe. Seja com bola parada ou jogo em andamento, cruzar a bola alta é sempre uma vantagem para o adversário. Talvez a altura da linha de defesa – média de 1,74m – explique a condição. Dos últimos quatro jogos, o Colo Colo sofreu cinco gols de cabeça.

Estas últimas partidas também elucidam o cansaço e a fragilidade dos chilenos na segunda etapa da partida. De todos os gols sofridos, quatro foram após os 80 minutos de partida. Algumas peças, de idade avançada, não conseguem suportar noventa minutos de alta intensidade.

Jogador importante: Jorge Valdívia

É inegável que o camisa 10, é o grande elo de criação da equipe. Busca o jogo com os volantes, distribui as jogadas e está sempre em busca de espaço nas costas da defesa.

No clube onde foi revelado, 'El Mago' Valdívia é quem comanda todas as ações.

No clube onde foi revelado, ‘El Mago’ Valdívia é quem comanda todas as ações.

Underdog: Matías Zaldívia

O zagueiro argention é o underdog a ser destacado. Apesar de ser pouco conhecido é muito bom jogador e vai para sua terceira temporada como titular da defesa chilena.

Fique de olho

Paredes segue liderando a linha ofensiva do Colo Colo, o maior artilheiro do clube na história do clássico local ainda esbanja sua qualidade. Esteban Paredes é um atacante de mobilidade e que raramente erra uma finalização próximo à área. A canhota segue calibrada.


RACING

Na fase de grupos, o Racing deslumbrou a América do Sul com o seu futebol pressionante e intenso. Os comandados por Coudet assimilaram muito rapidamente alguns pedidos do treinador e demonstraram potencial para chegar perto das atuações do Rosário Central de 2016.

Atuando no 4-1-3-2, Nery Dominguez é o ponto mais importante da equipe. É quem equilibra o sistema de pressão e contrapressão do Coudet. Sem o jogador, o desempenho do Racing caiu drasticamente o que fez ele perder a vaga à Libertadores de 2019, pelo menos por vaga via Superliga Argentina.

Ponto forte

A pressão e a contrapressão do Racing se tornam, jogo a jogo, características marcantes. O time pressiona muito as equipes adversárias, partindo rapidamente para o gol adversário. Ainda mais contando com os velozes Centurión e Gustavo Bou. Basta saber se a pressão será tão intensa sem a presença de Lautaro Martinez que foi para a Internazionale.

Ponto fraco

Por marcar encaixando jogadores nos setores e fazendo longas perseguições, o movimento precisa ser intenso. Em alguns momentos, com a linha alta, Donatti e Sigalli percorrem grandes distancias e deixam espaços enormes em suas costas. Além disso, por serem lentos, a recuperação é demorada. Qualquer tabela ou lançamento é capaz de chegar ao gol.

Nery Dominguez é o underdog na equipe de Eduardo Coudet. É um atleta que chama pouca atenção, mas fundamental.

Nery Dominguez é o underdog na equipe de Eduardo Coudet. É um atleta que chama pouca atenção, mas fundamental.

Jogador importante: Ricky Centurión

Impossível não destacar a importância de Ricky Centurión para o Racing Club. Desde que voltou ao Cilindro, Centu recuperou a boa forma. Acrescenta muito nos contra-ataques e de drible no último terço. Não por acaso esteve na lista de suplentes para a Copa do Mundo.

Underdog: Nery Dominguez

O pivote do Racing Club é quem merece destaque. É o ponto de equilíbrio da equipe, responsável por ser base de jogada e o jogador da cobertura após a pressão dos quatro jogadores em sua frente. Se mostrou muito necessário após o fraco desempenho da Academia sem a sua presença.

Fique de olho

A dupla Lisandro López e Gustavo Bou se reencontram e a torcida do Racing sonha alto com a qualidade coletiva que o ataque pode alcançar. Cabe a Coudet saber alterar a forma de jogo e encaixar Bou nesse contexto, pois é muito diferente de Lautaro Martinez.


RIVER PLATE

Invicto na primeira fase com 3 vitórias e 3 empates, o River Plate chega para o mata-mata da Libertadores ainda buscando se reinventar nas mãos de Marcelo Gallardo. Se por um lado o poderoso ataque, que conta com Scocco e Pratto, ainda não encontrou a sua melhor forma na competição, a defesa vem sendo o diferencial, finalizando a fase de grupos como uma das menos vazadas do torneio. Com alternâncias táticas, variando entre o 4-4-2, o 4-2-2-2 e o 4-3-1-2, os Millonarios prezam por um jogo extremamente estratégico, variando a plataforma e a postura em campo conforme o adversário. A capacidade de ditar o ritmo e dar controle dos volantes, a amplitude dos laterais, a movimentação dos meias avançados e a leitura da defesa rival por parte dos atacantes são as chaves para um bom rendimento da equipe de Gallardo.

Ponto forte: Sem dúvidas, a geração de jogo interior do River Plate é um dos pontos que fazem o time ser letal, principalmente dentro de casa. Enquanto os laterais abrem o campo e expandem o bloco defensivo contrário, Enzo Pérez, Leonardo Ponzio, Nacho Fernández, Pity Martínez, Juan Quintero e os demais meias do elenco conseguem girar a bola com velocidade e movimentos coordenados, esperando o momento ideal para dar o passe de ruptura.

Outro destaque fica por conta da dupla de zaga, geralmente formada pelos experientes Jonathan Maidana e Javier Pinola, e do goleiro Franco Armani. Quando o trio esteve junto em campo nesta Libertadores, foram quatro clean sheets (jogo sem sofrer gol) em cinco partidas. Unindo poder físico e inteligência, Maidana e Pinola realizam desarmes e antecipam as jogadas rivais com facilidade.

Ponto fraco: Se por um lado os jogadores de meio mostram toda sua técnica com a bola, sem ela deixam a desejar. O posicionamento defensivo dos homens do setor, por vezes, é desorganizado, comprometendo a compactação da equipe e deixando muito espaço entrelinhas para o time rival explorar. Além disso, jogadores como Juan Quintero, Nacho Fernández e Pity Martínez são pouco combativos, sobrecarregando os companheiros mais recuados. 

Jogador importante: Pity Martínez

Boa parte do poder de criação do River Plate se dá pelos pés de Pity Martínez. Podendo jogar como um enganche clássico ou partindo do lado esquerdo para armar as jogadas, Martínez consegue imprimir velocidade com e sem a bola na fase ofensiva do River Plate. Ainda, é um dos poucos que consegue oferecer soluções individuais quando a partida se desenha para isso. O camisa 10 é o jogador com mais dribles bem sucedidos do River Plate na Libertadores, além de estar entre os três que mais sofreram faltas.

Lucas Martínez Quarta é o futuro da Argentina. Na equipe de Gallardo já vem demonstrando suas qualidades.

Lucas Martínez Quarta é o futuro da Argentina. Na equipe de Gallardo já vem demonstrando suas qualidades quando chamado para atuar na defesa.

Underdog: Lucas Martínez Quarta

Com Jonathan Maidana suspenso na partida de ida das oitavas contra o Racing, Lucas Martínez Quarta deve assumir naturalmente a vaga na defesa. O zagueiro possui capacidade técnica acima da média e ótima saída de jogo, mas ainda peca pela inexperiência em lances pontuais. Com Pinola ao seu lado, entretanto, deve ter a segurança necessária para mostrar sua capacidade.

Fique de olho: A versatilidade da equipe é um ponto em que os adversários devem ter atenção. Ficou claro o padrão do time nesta primeira fase da Libertadores: dentro do Monumental de Nuñez, proposição e valorização da posse, enquanto fora de casa, reação e transições em velocidade. Nas três partidas do torneio como visitante, a média foi de 44,3% de posse de bola. Nas outras três em Buenos Aires, a média foi superior a 65%.


ATLÉTICO TUCUMÁN

Presente nas duas edições mais recentes da Copa Libertadores, o Atlético Tucumán emerge com méritos no cenário internacional. Após ser eliminado ainda na primeira fase em 2017, o Decano adquiriu experiência e foi mais longe em 2018. Porém, o começo na competição não foi fácil. As duas derrotas nas primeiras partidas da fase de grupos davam a impressão de um time enfraquecido. Entretanto, o técnico Ricardo Zielinski conseguiu restabelecer o modelo reativo e de contra-ataques rápidos que se tornou a marca registrada da equipe nos últimos anos. Alternando entre o 4-4-2 e o 4-4-1-1, os celestes e brancos prometem muita organização defensiva e objetividade na fase de mata-mata. 

Ponto forte: Os contra-ataques do Atlético Tucumán são, de longe, a principal virtude da equipe argentina. Costumando ter recuperações de posse próximas à intermediária, os comandados de Zielinski chegam à área adversária em poucos toques, usando e abusando das infiltrações dos meio-campistas mais abertos e das ultrapassagens em velocidade com os laterais. Sem muita vocação para realizar uma construção ofensiva elaborada, não hesitam em acelerar o jogo sempre que possível, apostando em bolas longas em direção aos atacantes para realizarem o pivô, escorar para quem vem de trás e logo esticar pelos lados buscando as costas dos laterais adversários.

Ricardo Zielinski tem levado a equipe do Atlético Tucuman à uma campanha histórica.

Ricardo Zielinski tem levado a equipe do Atlético Tucuman à uma campanha histórica.

Ponto fraco: Cruzamentos na área decana costumam ser um pesadelo para seu torcedor. Tanto por cima quanto por baixo, os defensores da equipe são facilmente antecipados pelos atacantes adversários, gerando chances de perigo. Na primeira fase, 3 dos 6 gols sofridos aconteceram desta maneira. Além disso, o Atlético Tucumán peca na segunda bola defensiva. Quando conseguem afastar o risco de sua área, o rebote costuma acabar nos pés rivais em uma zona crítica, proporcionando mais finalizações com liberdade para a equipe contrária.

Jogador importante: Luis Miguel Rodríguez

O experiente atacante é a grande referência técnica do Atlético Tucumán. “La Pulga” Rodríguez se caracteriza por ter um excelente tempo das jogadas e uma leitura apurada para explorar espaços na defesa adversária. Mesmo com seus 1,67m, gera risco no jogo aéreo graças ao seu senso de posicionamento dentro da área. Na primeira fase, foi quem mais obteve finalizações certas na equipe (6), além de ser um dos artilheiros do time da competição com 2 gols.

Underdog: Fávio Álvarez

Costumando sair do banco de reservas da Copa Libertadores, Fávio Álvarez é um jogador capaz de mudar o panorama de uma partida para o Atlético Tucumán. Com grande capacidade de drible, facilidade para mudar de direção e velocidade com a bola nos pés, Álvarez consegue, sozinho, desorganizar a defesa adversária e criar espaços para que seus companheiros surjam mais próximos à área. 

Fique de olho: Atenção ao posicionamento defensivo do Atlético Tucumán. Sem a bola, a equipe se coloca em bloco médio para gerar pressão na intermediária e recuperar a posse o quanto antes para partir em contra-ataque. A combatividade dos jogadores da segunda linha de quatro é uma das chaves do jogo decano. Dos cinco atletas com mais desarmes certos na equipe nesta Libertadores, três são meio-campistas: Rodrigo Aliendro (12), Nery Leyes (10) e Guillermo Acosta (9). 


ATLÉTICO NACIONAL

Ainda sofrendo com uma oscilação natural nas mãos de Jorge Almirón, o Atlético Nacional vem solidificando aos poucos a proposta de jogo do técnico argentino, que deu resultados no Lanús e vem se mostrando cada vez mais eficiente em Medellín. Variando muito entre o 4-1-4-1 e o 4-3-3, e mostrando por vezes até mesmo um 3-5-2 em campo, a equipe verdolaga segue a sua tradicional filosofia, buscando sempre a posse de bola, a construção ofensiva desde a defesa e a disciplina posicional de seus jogadores. Nos dois primeiros esquemas citados, os conceitos são basicamente os mesmos vistos em 2017 nos Granates. Saída de três com a participação do volante e zagueiros abrindo, laterais ajudando no jogo interior, meio-campo com visão de jogo e extremas de muita capacidade individual dão o tom em Medellín.

Ponto forte: A dinâmica em fase ofensiva e o jogo coletivo do Atlético Nacional certamente são os pontos de maior força da equipe. Utilizando como base a filosofia de “defender atacando”, os comandados de Jorge Almirón prezam sempre pelo jogo retendo a bola. Somente na primeira fase, a média de posse da equipe bateu os 63%. Com aproximações e facilidade para triangular, o time tem segurança nos passes, trabalhando curto e desorganizando a defesa adversária. Além disso, um mecanismo muito utilizado e que funciona bem é o de recomeçar a construção em seu campo para forçar os rivais a saírem e buscar a bola, provocam a descompactação do bloco defensivo oposto facilmente.

Ponto fraco: A pressão defensiva e o bloco alto que geralmente são visto quando o Atlético Nacional está em campo, apesar de eficientes, pagam o seu preço. A equipe colombiana é bastante vulnerável em bolas longas, cedendo muito campo para seus rivais explorarem em velocidade. Outro ponto que deixa a desejar nos verdolagas é a dificuldade em marcar o miolo da área e a chegada de jogadores que aparecem de trás em cruzamentos. Os três gols sofridos pelo time nesta edição da Libertadores vieram de finalizações do corredor central abaixo da faixa dos 20 metros. 

Depois de levar o Lanús para final da Libertadores, Almirón segue a linhagem de Osorio, Rueda e Lillo com time que gosta de propor.

Depois de levar o Lanús para final da Libertadores, Almirón segue a linhagem de Osorio, Rueda e Lillo com time que gosta de propor.

Jogador importante: Gonzalo Castellani

Contratado no começo do ano, Gonzalo Castellani logo se tornou o grande protagonista do meio-campo colombiano. Praticamente todas as jogadas de ataque da equipe contam com o carimbo do meia argentino. Podendo atuar como um meia box-to-box ou mais fixo na intermediária, é o responsável por ditar o ritmo ofensivo da equipe. Além de ser o jogador com mais passes certos do time (328), é também o que mais finaliza (16 no total).

Underdog: Jorman Campuzano

Seu apelido de “Busquets Colombiano” não é por acaso. Encarregado por ser o centro da saída de bola do Atlético Nacional, o volante possui características realmente semelhantes com o jogador do Barcelona. Sua paciência para encontrar as melhores linhas de passe, a frieza para girar com a bola e limpar a marcação, além de sua liderança dentro de campo fazem com que seja uma das principais peças do time de Jorge Almirón. Um operário discreto, porém muito eficiente.

Fique de olho: Muitas das chances de gols criadas pelo Atlético Nacional na Libertadores estão ligadas diretamente à movimentação de Dayro Moreno. Atuando no centro do ataque, Dayro tem liberdade para jogar fixo, cair pelos lados e entrar na área às costas dos defensores ou sair para atuar praticamente como um falso nove, tirando a dupla de zaga do lugar. Uma jogada muito utilizada pelos verdolagas consiste em, quando a bola está pelos corredores exteriores, Dayro executar um movimento diagonal ou lateral em direção ao lado onde o lance se desenvolve e abrir espaço para a chegada de um dos meias-interiores na área.


CERRO PORTEÑO

A sólida campanha do Cerro Porteño na primeira fase da Libertadores, colocando a equipe com a quarta melhor campanha da fase de grupos, credencia a equipe a ser uma grata surpresa nas oitavas de final. Com apenas uma derrota, em uma goleada sofrida fora de casa para o Grêmio, o Ciclón vem amadurecendo taticamente nas mãos de Luis Zubeldía. Aos poucos, os paraguaios conseguem equilibrar seu jogo entre reagir e propor, tendo como suas principais características um jogo exterior eficiente, objetividade no terço final e bom aproveitamento na área adversária. O 4-4-2 ainda é o esquema mais utilizado por Zubeldía, mas com a presença e o bom rendimento de Hernán Novick nas últimas partidas, o 4-2-3-1 vem ganhando espaço no Nueva Olla, com o meio-campista jogando centralizado na linha de três.

Ponto forte: O poder de definição dos atacantes do time é a principal força dos paraguaios nesta Libertadores. Diego Churín está entre os artilheiros da competição, mostrando toda a sua dinâmica e repertório para conseguir finalizar as jogadas. O experiente Nelson Haedo Valdez também vem deixando a sua marca no torneio, exibindo a inteligência nas movimentações para surgir de frente para a meta rival. O Cerro perdeu Alfio Oviedo nesta janela, mas adquiriu Jorge Benítez, que tem tudo para colaborar com a eficiência do setor ofensivo. Ainda, a força aérea da equipe na frente merece destaque, com boa participação dos homens de defesa.

Ponto fraco: O jogo interior e a criação ofensiva pelo corredor central por parte do Ciclón, apesar de apresentar melhoras nas participações mais recentes do Campeonato Paraguaio, ainda deixam a desejar, tornando o time previsível. A presença de Hernán Novick vem potencializando a procura por jogadas no meio, mas coletivamente a equipe tem a tendência de explorar os lados do campo mesmo quando a defesa adversária congestiona os flancos. Outro ponto fraco a ser destacado é a insegurança dos zagueiros. O Cerro Porteño entra nas oitavas de final com a defesa mais vazada entre os classificados, com 8 gols sofridos. Os defensores centrais incorrem em erros de leitura e pecam no tempo de bola, sendo superados com facilidade.

Diego Churrín (D) é um atacante dominante dentro da área adversário e causa muitos estragos. Artilheiro da equipe na competição.

Diego Churrín (D) é um atacante dominante dentro da área adversário e causa muitos estragos. Artilheiro da equipe na competição.

Jogador importante: Diego Churín

Domínio total na área adversária. Isso pode resumir bem o que é Diego Churín. Alto, combativo e ágil, o atacante é uma preocupação e tanta para os treinadores adversários na hora de traçar uma estratégia para as partidas. Seus movimentos são rápidos e bem pensados. Seja antecipando os defensores, explorando suas costas ou chegando de trás para finalizar de primeira, Churín é praticamente imparável quando bem servido pelos seus companheiros. Não à toa é o artilheiro do time na Libertadores com 4 gols até aqui.

Underdog: Santiago Arzamendia

Chega a ser até mesmo injusto colocar Santiago Arzamendia como um underdog, tamanha a sua importância para equipe. Entretanto, o jovem lateral-esquerdo de 20 precisa ter o reconhecimento que merece. Desponta como um dos jogadores mais completos de sua posição no futebol sul-americano. Está voltando de uma lesão na coxa que o tirou de ação, o que pode acarretar em falta de ritmo nos próximos confrontos. Porém, seus números deixam claro seu potencial: lidera o time em assistências (2), cruzamentos certos (8), desarmes certos (16) e é o terceiro com mais passes certos (183) e mais faltas sofridas (8).

Fique de olho: As combinações pelos lados são o principal meio de chegada ao ataque da equipe paraguaia. Seja em qual for o esquema, os laterais tabelam rapidamente com os extremas e fazem a ultrapassagem para receber a bola próxima à linha de fundo em condições de cruzar. Outro fator que deve receber atenção são os chutes de média distância. Quando há espaço, os jogadores arriscam.


INDEPENDIENTE

Credenciado pelo título conquistado na última Copa Sul-Americana, o Independiente chegou para essa Libertadores como um dos favoritos ao torneio. Porém, apesar da classificação, a primeira fase se mostrou mais complicada do que o esperado para os Rojos. Passando por uma reformulação após a perda de peças importantes, como Nicolás Tagliafico e Ezequiel Barco, o time de Ariel Holán se reencontra aos poucos. Bons nomes foram adquiridos nesta janela de transferências, e prometem aportar qualidade à equipe tanto na frente quanto atrás. No seu tradicional 4-2-3-1, os maiores campeões da competição devem seguir infernizando as defesas adversárias com suas tabelas rápidas no terço final e mostrando a força mental que caracteriza o time desde que Holán assumiu a casamata do lado vermelho de Avellaneda.

Ponto forte: A fase ofensiva, de modo geral, é o que mais chama a atenção no futebol do Rey de Copas. Desde a saída de bola até a definição das jogadas, a equipe do Independiente mostra uma aplicação perfeita dos conceitos empregados por Ariel Holán nos treinamentos, sempre com uma movimentação bem executada de seus jogadores. Seja trabalhando a bola pelo meio ou pelos lados, os hermanos chegam com grande facilidade até a área adversária. Além disso, os rojos mostram maturidade e inteligência para compreender as situações do jogo em que é necessário cadenciar ou acelerar a bola. Versátil, é um time que pode golpear o rival das mais diversas formas. Tentar defender o Independiente é trabalhar com a imprevisibilidade. 

Ariel Holan é a cabeça do Independiente. Mesmo com a saída de jogadores importantes na última temporada, manteve o estilo dominante.

Ariel Holan é a cabeça do Independiente. Mesmo com a saída de jogadores importantes na última temporada, manteve o estilo dominante.

Ponto fraco: A recomposição defensiva é o ponto mais crítico do Independiente. Geralmente trabalhando com a sobrecarga na última linha da defesa adversária, a equipe de Ariel Holán acaba se expondo demais e sofrendo excessivamente com os contra-ataques. Nesta primeira fase da Libertadores, jogadas onde os rivais conectavam passes longos em direção às costas dos laterais argentinos foram comuns. A lentidão dos zagueiros também colabora para que os Diablos Rojos tenham problemas contra esse tipo de jogada.

Jogador importante: Martín Benitez

Não seria injustiça alguma colocar Maximiliano Meza como o destaque do Independiente, mas Martín Benitez vem sendo o grande diferencial rojo nesta Libertadores. Capaz de atuar aberto pela esquerda ou centralizado na linha de três do 4-2-3-1, Benitez demonstra bom controle do ritmo da equipe e chegada qualificada à área. Não por acaso, é o artilheiro do time na competição com 3 gols, o jogador com mais finalizações totais (19) e finalizações certas (9), além de ter uma assistência. 

Underdog: Ezequiel Cerutti

Emprestado pelos árabes do Al Hilal ao time de Avellaneda, Cerutti chega ao Independiente para acrescentar muita velocidade, drible e poder de definição. Inscrito para a fase de mata-mata, “Pocho” pode ser um diferencial por ter características ausentes no elenco após a saída de Menéndez, cedido ao Al-Rayyan. Capaz de jogar como extrema pelos dois lados, possui finalização apurada e força física acima da média para alguém com somente 1,69m.

Fique de olho:

As triangulações pelos flancos são as jogadas que mais geram oportunidades ao Independiente e que mais oferecem risco aos adversários. Tanto pela esquerda quanto pela direita, a equipe argentina troca passes rápidos com a participação dos laterais, dos extremas e do meia centralizado. O objetivo sempre é buscar a infiltração no gap entre o lateral e o zagueiro rival para entrar na área, ou explorar as costas do lateral para colocar a bola ao espaço rumo à linha de fundo e fazer o cruzamento, seja ele na primeira trave ou para quem surge de trás.

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