AS IDEIAS DE PIA SUNDHAGE

Por Camila Aveiro

Pia Sundhage é o nome que agora comanda a Seleção Brasileira principal feminina, segunda mulher a ocupar este cargo. Por isso, estudamos a fundo o modelo de jogo de Vadão e analisamos todos os jogos do Brasil na Copa do Mundo da França, que resultou na nossa eliminação ainda nas oitavas de final diante das donas da casa. Pra entender melhor esse artigo é necessário voltar um pouco no tempo para relembrarmos o “Dossiê Vadão” onde dissecamos todas as ideias do treinador e sua comissão, pois daqui em diante apresentaremos as ideias da sueca nos quatro momentos do jogo, sempre apontando as principais diferenças entre os dois.

DEFESA

O primeiro item desse texto já há uma diferença de conceito entre eles. Vadão gostava de uma marcação de encaixes setorizados, com perseguições médias e longas, ou seja, a referência para as meninas estavam a prior nas adversárias em função da bola, permitindo com que a Seleção fosse mais reativa aos movimentos de suas oponentes. Em contrapartida, a atual treinadora utiliza de uma marcação por zona pressionante, que tem como principal referência o espaço em função da bola, no qual a preocupação é fechar como equipe os espaços mais valiosos, os próximos à bola. O ‘’pressionante’’ já da ideia: ação de encurtar o tempo-espaço de quem porta a bola, procurando criar uma superioridade numérica no setor atacado. Observe:

 

14141 em momento defensivo, com linhas flutuando para o lado da bola e pressão no portador.

14141 em momento defensivo, com linhas flutuando para o lado da bola e pressão no portador.

 

Em 2016, mais precisamente nos Jogos Olímpicos do Rio, Pia usou muito o sistema tático supracitado, mas nas eliminatórias da EURO do ano seguinte se viu a utilização das clássicas duas linhas de quatro, 1442, porém a ideia segue a mesma premissa, alterava-se apenas a maneira como as atletas estavam distribuídas no campo.

 

1442 da Suécia na EURO 2017 em bloco intermediário marcando zonalmente.

1442 da Suécia na EURO 2017 em bloco intermediário marcando zonalmente.

 

Até quando a marcação acontece em linhas mais altas no campo (pressionando o adversário ainda no seu campo defensivo) há preocupação com o espaço e pressão na bola, a fim de não deixá-lo progredir, diferentemente do Brasil que se viu na Copa do Mundo, no qual os encaixes aconteciam por todo campo.

 

Em azul as jogadoras da África do Sul e a marcação da Suécia fechando linhas de passe e pressionando a bola.

Em azul as jogadoras da África do Sul e a marcação da Suécia fechando linhas de passe e pressionando a bola.

 

O que não aparece na imagem é também outra diferença entre as duas equipes: observe que na foto acima há uma jogadora africana após a linha de meio-campo, porém sem ninguém perto dela, pois a última linha de quatro sueca se manteve estruturada atrás diminuindo o espaço entre a primeira volante e elas, ou seja, andando em bloco (um princípio defensivo onde a equipe anda junto para frente e para trás no campo para facilitar na compactação de suas linhas). Nas equipes de Vadão era comum a quebra dessa última linha com uma zagueira perseguindo a adversária e com isso espaços eram cedidos para serem atacados por nossos adversários.

Outro problema crônico do Brasil eram os espaços nas costas das laterais, que perseguiam longe do setor. Até pelo tipo de marcação ter uma referência diferente, isso acontece menos com as equipes de Pia, com marcações mais curtas das laterais e mais sustentação da última linha:

 

Lateral ameaça dar combate em Cristiane, encurta o espaço e depois se posiciona para retornar a linha de defesa, enquanto a volante e a meio-campista cercam Cris.

Lateral ameaça dar combate em Cristiane, encurta o espaço e depois se posiciona para retornar a linha de defesa, enquanto a volante e a meio-campista cercam Cris.

 

Movimento que demonstra novamente comportamentos diferentes nas duas equipes. A tendência nessa jogada era da lateral encaixar na jogadora de beirada até que a jogada fosse finalizada ou a bola trocasse de setor. Com isso havia sempre possibilidades de exploração desses espaços por parte dos adversários, com maior ocorrência no setor esquerdo ocupado por Tamires.

 

Outro exemplo da referência no espaço: adversária em azul livre entrelinhas, porém a última linha segue mantida, sem que haja perseguições.

Outro exemplo da referência no espaço: adversária em azul livre entrelinhas, porém a última linha segue mantida, sem que haja perseguições.

 

Por priorizar pressionar quem tem a bola, por vezes alguém desgarra da última linha, mas a perseguição é curta e a proximidade das linhas – e de jogadoras da mesma linha – permite ações de cobertura imediatas. Dentro desse contexto quando há a quebra por parte de alguma posição, logo é compensada por alguma jogadora. Uma marca da organização defensiva apresentada pela sueca (menos desequilíbrio/desestruturação no momento defensivo):

 

Zagueira sai para pressionar e logo a linha é recomposta pela primeira volante, mantendo a estrutura defensiva.

Zagueira sai para pressionar e logo a linha é recomposta pela primeira volante, mantendo a estrutura defensiva.

 

Ainda que esses movimentos sejam mais circunstanciais, podemos observa-los também em 2017:

 

Zagueira saiu de seu setor para pressionar e logo a volante compensou, mantendo a estrutura da última linha defensiva.

Zagueira saiu de seu setor para pressionar e logo a volante compensou, mantendo a estrutura da última linha defensiva.

 

Os conceitos existem nas duas equipes, obviamente, o que muda é a dinâmica que se dá a cada um deles e a forma como os prioriza e a qualidade na execução por parte do entendimento das atletas sobre como se pretende jogar.

TRANSIÇÃO OFENSIVA

Nesse momento do jogo (defesa-ataque – o famoso “contra-ataque”) há similaridades de ideias entre Pia Sundhage e Vadão. Mais uma vez o que muda é a forma como esses conceitos são aplicados em campo. As fases de transição no futebol são marcadas por “mudança rápida de comportamento” determinada pela posse ou não posse da bola. A similaridade que citamos vem da intenção: na retomada da bola pensa-se em verticalidade e progressão, como no exemplo abaixo:

 

Em destaque está a portadora da bola, mas há movimentação coletiva em progredir em velocidade.

Em destaque está a portadora da bola, mas há movimentação coletiva em progredir em velocidade.

 

Na Suécia de Pia Sundhage de 2016 e 2017, que serviram de objeto de estudo para esse material é possível perceber a objetividade do modelo após a recuperação da bola, mesmo dentro da zona de pressão (área com maior acumulo de jogadoras adversárias) a busca é seguir para frente, porém esse mecanismo conta com auxilio de apoios, oferecendo possibilidades à portadora da bola, como também acontece de forma individual com dribles e conduções:

 

Alemanha cerca com três, mas acontece uma rápida triangulação sueca e em seguida a progressão em velocidade.

Alemanha cerca com três, mas acontece uma rápida triangulação sueca e em seguida a progressão em velocidade.

 

Outro exemplo dessa ação dentro de uma zona onde o adversário tenta novamente recuperar a bola, antes que o adversário avance e/ou consiga se estabelecer em organização ofensiva, na busca de aproveitar o desequilíbrio defensivo de quem perdeu a posse:

 

Não é só apoio próximo da zona que se recuperou a bola, há uma mudança de comportamento de maneira coletiva.

Não é só apoio próximo da zona que se recuperou a bola, há uma mudança de comportamento de maneira coletiva.

 

E mesmo quando há a ação de retirar a bola da zona de maior marcação, a ideia segue a mesma premissa: avançar.

 

O passe faz com que a equipe progrida horizontalmente, levando a bola a um setor livre de marcação adversária.

O passe faz com que a equipe progrida horizontalmente, levando a bola a um setor livre de marcação adversária.

 

Esses mecanismos não contam apenas com saídas curtas. É muito característico dessa Seleção o lançamento logo da bola para alguém que corre se projetando ao ataque em disputa com alguma defensora da última linha. Normalmente as atacantes que fazem esse movimento.

Nossas meninas que disputaram o Mundial feminino também tinha a mesma proposta, mas com demasiada precipitação, aproveitando suas individualidades e velocidade com movimentos de condução. Pequenos ajustes e disparidades que podem fazer a diferença e contribuir positivamente para a evolução da Seleção Canarinha.

ATAQUE

As equipes de Pia Sundhage se caracterizam por utilizar um ataque mais vertical, mais rápido, pois não há uma supervalorização da posse de bola, sendo assim mais objetiva e direta a fim de progredir pelo campo para criar situações de finalização no último terço. Até aqui, conceitualmente temos a mesma ideia utilizada pelo técnico Vadão, porém a maneira com as movimentações e distribuições das jogadoras em campo é bem diferente. Em 2016, no Rio de Janeiro, Pia apresentou a proposta de jogar no 1433, variação comum do 14141, como ilustra a foto a seguir:

 

1433 da Seleção Sueca nos Jogos Olímpicos Rio 2016.

1433 da Seleção Sueca nos Jogos Olímpicos Rio 2016.

 

Em 2017, disputando a EURO alterou sua distribuição em um clássico 1442, com movimentos livres da craque e camisa 9, Asllani. Ainda que sejam sistemas táticos diferentes, as dinâmicas envolvidas continuam mantidas. Algumas mais próximas outras mais distantes daquelas utilizadas por Vadão.

Quando opta por construir desde a base, ou seja, quando cria suas jogadas a partir da zona de iniciação do jogo, no seu setor defensivo, monta uma estrutura mais “sustentada” exigindo movimentação das meio-campistas para conseguir criar linhas de passe para frente e assim ir progredindo no terreno de jogo através de passes mais curtos:

 

Suécia se organizando para sair com 6 jogadoras desde a base da jogada. Mais avançada aparece Allasni que ocupa tanto os corredores laterais como o corredor central.

Suécia se organizando para sair com 6 jogadoras desde a base da jogada. Mais avançada aparece Allasni que ocupa tanto os corredores laterais como o corredor central.

 

Na lógica estrutural de Vadão, também se fazia uma saída com 6 jogadoras (a linha de 4 mais duas volantes do seu sistema 1424, como ilustramos no “Dossiê Vadão”) com a construção ofensiva começando ainda em campo defensivo, mas as diferenças são bem notórias nesse momento do jogo: O Brasil era uma equipe que mesmo tendo opção por dentro prioritariamente construía por fora, com quase nenhuma ação nas faixas mais centrais, além de ter duas características marcantes: a distância entre os setores e a falta de apoio a quem estava com a bola. A consequência disso unida as ideias do modelo de jogo fazia com que a bola longa, a ligação direta e a individualidade se sobressaíssem no jogo brasileiro.

Por outro lado, o jogo apoiado acontece em qualquer zona do campo e é o que se espera para essa nova fase da Seleção. A ideia é de avançar rápido, mas a execução conta com possibilidades da bola passar mais de pé em pé, participativa em todas as faixas de campo tanto por dentro quanto por fora, com jogadoras se aglomerando no setor da bola. Observe:

 

6 jogadoras próximas a portadora da bola, oferecendo apoios.

6 jogadoras próximas a portadora da bola, oferecendo apoios.

 

Essa construção pelas faixas mais centrais do campo passa muito pela ação das meio-campistas, da liberdade de flutuação de Allasni, além dos movimentos de ‘’parede’’ com toques rápidos, que auxiliam na construção das jogadas, como também ajudam na retenção da mesma.

 

A centroavante vem receber o passe, que sai dos pés da zageuria, de costas e permite a possibilidade de se tabelar no triangulo formado por dentro.

A centroavante vem receber o passe, que sai dos pés da zageuria, de costas e permite a possibilidade de se tabelar no triangulo formado por dentro.

 

Essas possibilidades de aproximação também permitem triangulações quando o jogo por fora é acionado, com apoio também por dentro e jogadoras se direcionando ao lado da bola:

 

Triangulações pelas faixas laterais do campo, característica de Pia Sundhage.

Triangulações pelas faixas laterais do campo, característica de Pia Sundhage.

 

Outro problema crônico da Seleção Brasileira, que disputou a Copa do Mundo da França nesse ano, era a falta de mobilidade de suas jogadoras. Um time mais estático, com circulação lenta de bola e poucas alternativas para sair jogando. Em compensação, veremos muitas trocas posicionais com a treinadora recém-chegada:

 

A ponta direita sai do setor para se aproximar de quem possui a bola, logo a referência se movimenta para ocupar o espaço vazio deixado por sua companheira.

A ponta direita sai do setor para se aproximar de quem possui a bola, logo a referência se movimenta para ocupar o espaço vazio deixado por sua companheira.

 

Embora não seja uma equipe que atue com jogadoras mais fixas em seus setores (há muita liberdade posicional), as meninas possuem referências de espaços ou estruturais, principalmente para dar amplitude no setor da bola, o que permite alargar as linhas de marcação, na tentativa de penetrar na defesa adversária e/ou atacar a última linha com profundidade. Princípios comuns em todas as equipes de futebol, porém com diferentes ordens de execução.

Outro exemplo dessas trocas agora na faixa mais central:

 

Jogadoras próximas uma das outras, balançando para o setor da bola e trocas posicionais, permitindo ação de apoio e infiltração na última linha defensiva (ilustrados pela seta rosa).

Jogadoras próximas uma das outras, balançando para o setor da bola e trocas posicionais, permitindo ação de apoio e infiltração na última linha defensiva (ilustrados pela seta rosa).

 

Como supracitamos há alguma relação de proximidade nas ideias ofensivas entre o passado e o futuro da Seleção Brasileira e pode ser ilustrado pela estratégia de utilizar bolas longas para jogar nas costas da última linha defensiva, com lançamentos a partir do setor defensivo da equipe que está atacando:

 

A lateral esquerda tem apoios pra trabalhar a bola, mas prefere a jogada em profundidade, para a atacante de beirada se projetar em velocidade.

A lateral esquerda tem apoios pra trabalhar a bola, mas prefere a jogada em profundidade, para a atacante de beirada se projetar em velocidade.

 

Por mais que consiga jogar curto e de maneira apoiado, as ideias da sueca podem ter variações de comportamento e essas bolas mais longas viajando entre setores se mostra como uma alternativa, com diferentes execuções, a fim de buscar projeção de uma atacante em profundidade na tentativa de criar uma situação de gol. Situações que dependem de movimentos sincronizados entre atletas e estimulados nas sessões de treinamento:

 

Se há dificuldade em sair desde a base, há movimentos sincronizados para uma jogada de bola esticada.

Se há dificuldade em sair desde a base, há movimentos sincronizados para uma jogada de bola esticada.

 

Passando para as ações concentradas no último terço do campo ou mais próximas dele dois comportamentos nos chamam atenção. As laterais se organizam em diagonais, para dar possibilidades de apoio com fortes ultrapassagens. As diagonais permitem que as duas estejam presentes em campo ofensivo, porém em alerta para qualquer perda de bola:

 

Lateral esquerda avança, pois está no setor da bola, enquanto a lateral direita mesmo em campo ofensiva vai fechando por dentro para eventual perda de bola.

Lateral esquerda avança, pois está no setor da bola, enquanto a lateral direita mesmo em campo ofensiva vai fechando por dentro para eventual perda de bola.

 

Outra característica que levam a assinatura da nova comandante verde e amarela é a presença de pelo menos duas jogadoras pisando na área, entre atacantes e meias, para cruzamentos (sejam eles rasteiros ou por meio de jogada aérea) e jogadas de linhas de fundo, como mostra a imagem:

 

Atacantes pisando na área para eventual ação de cruzamento ou até mesmo um passe.

Atacantes pisando na área para eventual ação de cruzamento ou até mesmo um passe.

 

A preocupação não é apenas com bolas cruzadas e com as jogadas de linha de fundo, mas também se pensa nas sobras e/ou nas possibilidades de se atacar vindo de trás e para isso há a presença de uma meio-campista fora da área, enquanto as atacantes pisam dentro dela:

 

Assim como na imagem acima, há a presença de uma meio-campista fora da área como uma “sobra”.

Assim como na imagem acima, há a presença de uma meio-campista fora da área como uma “sobra”.

 

Atitudes notórias na Seleção da Suécia e que podem ser transferidas e/ou adaptadas de acordo com as características das jogadoras brasileiras e assim nos dar uma identidade, que tenha desempenho superior ao que foi apresentado até agora.

TRANSIÇÃO DEFENSIVA

Pia Sundhage deixou claro sua preocupação com nosso sistema defensivo como um todo e isso inclui os comportamentos da Seleção nos segundos em que perdem a posse de bola.  Como falamos na transição ofensiva é importantíssimo que as atletas tenham uma rápida mudança de comportamento nesses segundos que sucedem a perda ou recuperação da posse de bola.

O Brasil de Vadão era caracterizado por uma pressão pós-perda que visava à rápida recuperação de quem perdia a bola ou de quem estava mais próxima do setor. Debinha, Adriana, Geyse e Formiga se destacaram nesse quesito por estar sempre buscando pressionar a adversária em qualquer faixa de campo, porém havia uma preocupação coletiva de recomposição de linhas (por vezes era tardia) quando essa pressão individual era quebrada: sobravam espaços para nossas adversárias.

As meninas de Pia Sundhage também realizam pressão na portadora da bola quando a perdem, mas o estímulo coletivo é maior e suas atletas imediatamente buscam retornar aos seus setores na tentativa de se reorganizar. Observe:

 

Há o direcionamento de uma sueca para realizar pressão, enquanto outras perfilam seus corpos para ‘’correr para trás’’ buscando recompor as linhas de marcação.

Há o direcionamento de uma sueca para realizar pressão, enquanto outras perfilam seus corpos para ‘’correr para trás’’ buscando recompor as linhas de marcação.

 

Essa pressão exercida não visa apenas à recuperação de bola de imediato. Um comportamento comum dessa Seleção é pressionar para retardar a ação do adversário – o que chamamos de temporizar -, impedindo sua progressão, além de ganhar tempo para o retorno das companheiras de defesa.

 

Na imagem há uma aproximação em cima da portadora, mas não no sentido de roubar a bola e sim atrasar sua ação.

Na imagem há uma aproximação em cima da portadora, mas não no sentido de roubar a bola e sim atrasar sua ação.

 

Outro exemplo dessa ação de retardamento agora mais próxima do terço mais defensivo:

 

Jogadora sueca acompanha, mas não tenta roubar a bola. A intenção é atrasar a italiana para a última linha retornar e se reorganizar.

Jogadora sueca acompanha, mas não tenta roubar a bola. A intenção é atrasar a italiana para a última linha retornar e se reorganizar.

 

Essa temporização acontece também quando não há pressão alguma em quem possui a bola, pois a ideia também é de proteger a baliza que se defende; um princípio geral do jogo, como exemplificado abaixo:

 

A última linha se mantém sustentada, protegendo a baliza, mas sem perder contato com quem possui a bola.

A última linha se mantém sustentada, protegendo a baliza, mas sem perder contato com quem possui a bola.

 

E por que essa ação é importante? Imagina que a zagueira desgarra para pegar quem está com a bola (destacada em amarelo) e ela consegue achar um passe na sua companheira da frente. Essa jogada poderia deixar a atacante adversária na cara do gol e por isso a linha se sustenta, a fim de encontrar a melhor solução para resolver o problema que se apresenta.

Embora tenha muitas situações em que se pretende temporizar, uma ação não anula a outra: a questão é prioridade. Em determinados momentos se busca a roubada de bola, principalmente quando é possível que o adversário esteja em desvantagem numérica e/ou com o corpo de costas para o gol que se pretende atacar. Observe:

 

Adversária de costa para o gol em desvantagem numérica, última linha montada abrindo possibilidade para tentar tomar a bola.

Adversária de costa para o gol em desvantagem numérica, última linha montada abrindo possibilidade para tentar tomar a bola.

 

Como falamos anteriormente, os conceitos, princípios e afins existem em qualquer equipe de futebol, alguns mais interiorizados do que outros, o que leva a diferentes execuções, as quais podem ser mais ou menos bem sucedidas e eficientes. Cabe ao treinador e sua comissão técnica gerar subsídios para que seu modelo de jogo seja eficaz e permita que as atletas desempenhem suas funções da melhor forma possível.

Pia Sundhage é conhecida por ter em seu DNA organização e vitórias. Organização vimos que suas equipes possuem e torcemos pra que agora venham as vitórias com a camisa verde e amarela. Avante, Pia!