ARTHUR E O ELO PERDIDO

Por @Maiiron_

Arthur Melo encantou na América do Sul sendo um controlador de jogo. Chegou no Grêmio, que priorizava músculos no centro do campo vide seus jogadores formados aqui, e mudou tudo. Passes, giros, ritmo e até uns gols. Arthur é um volante diferente do modelo brasileiro em geral; em um cenário que formamos “Casemiros”, mais de combate, ou “Paulinhos”, de mais força, ele é um jogador único. Na Seleção, por vezes, ressentimos de um jogador que tenha a paciência de arquitetar o jogo na base da jogada ou em uma área longe do gol. Deveria ir pra Copa? Talvez, mas Arthur ainda tem pouca amostragem. Não chegou a cem jogos pelo Grêmio; tem um físico ainda em desenvolvimento, já que não consegue durar noventa minutos e ainda não se testou em um cenário de espaços comprimidos e com exigência física descomunal.

Agora ele desembarca em Barcelona e terá uma missão ingrata. Desde que saiu Xavi, meia histórico catalão, formado na La Masia e símbolo dos Culés, o estilo de jogo mais tocado e pausado foi se desencontrando. Luis Enrique já priorizava, mesmo com Xavi, Iniesta e Busquets, o jogo mais direto pra achar o trio MSN. Deu certo: uma Champions League, uma La Liga e uma Copa do Rei. Tripleta, que ninguém mais conseguiu. Chegou Ernesto Valverde e mais um código do Barcelona desse milênio foi rasgado: o 4-3-3 deixou de existir pra jogar, majoritariamente, em 4-4-2 com o jogo direto para Suárez e Messi brilharem. Foi campeão quase invicto da La Liga e teve uma Champions League muito abaixo com Messi em uma fase fenomenal. Arthur foi visto pelo Barcelona como o jogador que ajudará a fazer o estilo voltar, é um “elo perdido” da atualidade barcelonista. Arthur é mais Xavi do que Iniesta. E o Barcelona, se quiser voltar ao estilo, precisa de um Xavi no atual momento.

Arthur chega para relembrar um elo perdido na Catalunha

Ninguém sabe como o Barcelona jogará em 18-19. Se continuar no 4-4-2, a tendência é ser reserva de Rakitic que fez boa Copa do Mundo. O croata, fisicamente, é melhor que Arthur no modelo atual. Sobe a linha de pressão, desarma, combate e é tudo que o goiano não tem. Arthur ainda é um jogador de toques laterais; lembremos que, no Grêmio, quem verticaliza sempre é Maicon. Lembrado, com razão, por Tite na lista reserva. Rakitic é um jogador de bolas mais longas e que dita o ritmo direto que Valverde pede. Se voltar a um 4-3-3, que é o que espera todo barcelonista, ninguém irá segurar Arthur. Sendo mais Xavi, organizando e orquestrando de trás, pode ser um dos bons argumentos do time que poderá potencializar um trio com Coutinho, Messi e Suárez.

O que fica é: Arthur será o mesmo aqui na América e lá na Europa? O embate é outro, as exigências são outras e o jogo é outro. Aqui, desfilava escondendo bola e iludindo o marcador. Era uma das grandes atrações do continente. O período de adaptação é importante, mas Arthur carrega responsabilidades imensas em suas chuteiras.

Comment List

  • Marcelo 20 / 07 / 2018 Responder

    só o tempo dirá, mas se tudo correr com o esperado, a seleção só ganha com isso.

  • Higor Vinícius Pegado 13 / 08 / 2018 Responder

    Arthur fez uma pré-temporada bastante segura, mas hoje contra o Sevilla deu para ver que sentiu um pouco a questão física. Como ressaltado no texto, esse é um dos pontos a melhorar no jogo dele. Teve a experiência de sentir como é a competição em um jogo de temporada regular, com muito contato, pouco espaço, muita correria e pouco tempo para agir.

    Acho que outra coisa que o Arthur deve ter dificuldade nesse início, é o modus operandi de jogar bola em Barcelona. Lá eles preferem que não se encurte o espaço pra quem tá com a bola, e, geralmente, o Arthur costuma atropelar metros para se aproximar do portador da bola.

    Outra dificuldade que eu senti dele hoje foi telegrafar demais o passe. O jogo de corpo dele foi muito previsível, não demonstrou que faria algo diferente, deu muito passe lateral, pouca tentativa de infiltrar, andou em alguns momentos.

    Todos esses problemas são perfeitamente corrigíveis, é claro.

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