A LIGA DAS ESTRELAS VOLTOU

Por @_GabrielCorrea

La Liga está de volta e junto com ela o Real Madrid de Zidane que caminha para se tornar a melhor versão dos Galácticos; Uma nuvem de incertezas rondando Barcelona; Estaria o técnico Diego Simeone desgastado no Atlético de Madrid depois de duas finais de Liga dos Campeões perdidas? Vamos para Sevilla onde os clubes da cidade se reforçaram de maneira interessante e podem surpreender; Na bonita Valencia, Marcelino Toral tenta impor seu estilo e um novo projeto surge na Catalunha com o Girona FC que pode causar problemas. Finalmente, a Liga das Estrelas voltou!

O MELHOR REAL MADRID DA DÉCADA

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Gareth Bale, Marco Asensio, Dani Ceballos, Mateo Kovacic, Marco Llorente, Theo Hernandez e Jesús Vallejo. Com essa espinha dorsal, qualquer clube do mundo brigaria de maneira interessante nas cinco grandes ligas. A questão é: esse é o banco de reservas do Real Madrid de Zidane. Numa reestruturação no seu modelo de captação de jovens e utilização do elenco, o clube presidido por Florentino Pérez vive o início do que parece ser a dominação da Europa.

A partir da chegada de Zidane, a conquista do bicampeonato da Champions League e o domínio sobre o Barcelona nos confrontos. Poucos gastos e as grandes estrelas do futebol mundial em seu meio campo. O Real Madrid inverte a lógica e se torna o Barcelona de Pep. A partir de um meio campo com Casemiro, Modric e Kross. A dosagem do elenco foi fundamental para vermos um Cristiano Ronaldo mais decisivo do que nunca. Um time que sabe a hora de controlar o jogo, usar o contra-ataque ou trocar golpes com o adversário. Um time completo. Estamos diante do Real Madrid com menos nomes galácticos, mas com muito mais qualidade.

INCERTEZAS EM BARCELONA

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A saída de Neymar foi apenas o estopim. O Barcelona vive um momento de transição (ou seria uma crise de identidade) desde a saída de Guardiola e, posteriormente, de Xavi Hernández. Um clube que marcou época ao dominar os jogos a partir do meio de campo respirava graças ao tridente Messi, Suárez e Neymar. Sem o camisa 11 e um contexto favorável, muitas dúvidas cercam a Catalunha. A torcida pede a renuncia de Josep Maria Bartomeu após a contratação de Paulinho. Muitos problemas rondam Barcelona.

Dentro de campo, Ernesto Valverde já provou da superioridade do Real Madrid nas finais da SuperCopa da Espanha ao testar um 5-3-2 e perder na superioridade numérica em todos os setores num jogo onde foi dominado e o Barcelona perdeu em posse de bola num clássico após 9 anos (!). Uma crise identidade. Sem Neymar, há dois caminhos que já foram comentados aqui no Footure: formar um grande time que jogue para Lionel Messi ou um substituto para dividir as responsabilidades com o argentino camisa 10 que chega aos seus 30 anos e com muita lenha para queimar.

O ÚLTIMO TIME DE SIMEONE?

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Quando o argentino Diego Simeone desembarcou em Madrid, o lado mais pobre da capital não era relevante no cenário do futebol mundial. Tudo isso mudou. Com ‘el Cholo’, a conquista do Campeonato Espanhol e uma Liga Europa, além de grandes vitórias e noites inesquecíveis na Liga dos Campeões. E mais? Duas finais de Liga dos Campeões contra o maior rival. O problema é que os títulos continentais não vieram e o emocional dos jogadores e do próprio técnico estão abalados para mais uma temporada onde o clube não pode contratar.

Dentro de campo, a principal estrela segue sendo Griezmann acompanhado de seus fieis escudeiros Godín, Saúl Niñguez, Koke Resurrección e Fernando Torres. Sem poder contratar até janeiro de 2018, é hora dos Colchoneros mostrarem a força da camiseta. Ferreira Carrasco quer manter seu protagonismo, a defesa teve a queda José Maria Giménez que sonha em voltar a fazer dupla com o seu compatriota Godín, além do experiente Juanfran e do brasileiro Filipe Luís. A expectativa é muito grande para saber se o time de Diego Simeone prepara seu último suspiro em busca de grandes conquistas na Espanha ou quem sabe na Europa.

AS MUDANÇAS EM SEVILLA

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No time que leva o nome da cidade, as mudanças começaram no banco: sai Jorge Sampaoli, entra Eduardo Berizzo. A filosofia bielsista segue no clube de Andaluzia. Além disso, as chegadas de  Luis Muriel, Kjaer, Guido Pizarro e Corchia, somados aos retornos de Nolito, Banega e Jesus Navas podem elevar o patamar de um elenco que perdeu sua dupla de super reservas (Iborra e Vitolo). Berizzo já se mostrou adepto do Jogo de Posição no Celta de Vigo, agora com mais peças de qualidade a sua disposição devemos ter uma versão ainda melhor do time que eliminou o Real Madrid na Copa do Rei. A briga pelo posto de terceira equipe na Espanha está em aberta desde a última temporada com o Atlético de Madrid.

No lado verde e branco, a chegada de Quique Setién é a grande expectativa do campeonato. Depois do Las Palmas e seu futebol de toque, o técnico espanhol que foi sondado pelo Barcelona tem a missão de recuperar um time que perdeu Dani Ceballos para o Real Madrid. Os nomes mais importante que chegaram foram Victor Camarasa, o experiente Andrés Guardado, Cristian Tello e Boudebouz. Uma peça que falta para Quique Setién é seu ‘Roque Mesa’ ou ‘Jonathan Vieira’, jogadores com capacidade de impor o Jogo de Posição num time que brigou na parte de baixo da tabela na última temporada.

O PROJETO EM GIRONA

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Depois de 85 anos, mais um clube da Catalunha passará a integrar a primeira divisão da Espanha. O Girona deve esse novo momento na história do clube ao Manchester City e um sobrenome aproxima os clubes: Guardiola. Pep é treinador do clube inglês, enquanto Pere é consultor técnico e um dos donos do clube espanhol. A ajuda se dá principalmente no empréstimo de jogadores com potencial que o Manchester City contrata por todo mundo e pelos ingleses entenderem que a Espanha é o melhor local para desenvolver jovens. Nesta janela, só da Inglaterra chegaram: Douglas Luiz, Marlos Moreno, Pablo Maffeo, Aleix Garcia e Kayode. “Estamos empolgados com o quanto o projeto do Girona pode crescer, e com certeza ajudaremos em tudo o que for possível”, disse Pep Guardiola. Um projeto que merece ainda mais destaque com esse apoio do Manchester City.

Dentro de campo, o time treinado por Pablo Machín atua no esquema 3-5-2 a pelo menos três temporadas. A equipe se caracteriza por uma marcação forte e laterais que dão muita amplitude e, na fase defensiva, formam uma linha de cinco. A bola parada é outro ponto forte da equipe catalã e deve ser fundamental para conquista de alguns pontos preciosos na luta pela permanência na elite.

O PAÍS BASCO

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Após a saída de Ernesto Valverde para o Barcelona, o ex-técnico das categorias de base do clube basco, José Ángel Ziganda assumiu o clube. Uma equipe que gira em torno da dupla Raúl Garcia e Aduriz pode, quem sabe chegar ao seu fim. Os princípios básicos de pressão alta e jogo no campo adversário devem continuar, mas sem uma necessidade absurda de cruzamentos ou jogadas para a dupla de frente. O centroavante de 36 anos pode estar chegando ao final de sua carreira, mas deve manter a fase goleadora. A aposta do clube deve ficar em Iñaki Williams e Iker Muniain pelas pontas, dando um pouco mais de tempo nas jogadas e não uma necessidade absurda em jogar para Aduriz.

A remontagem no elenco de Eusebio Sacristán mostra mais dúvidas do que certezas. O 4-3-3 do clube perdeu peças importantes para o rendimento da equipe. A começar pelo lateral esquerdo Yuri Berchiche que atuava por todo lado esquerdo e permitia que Oyarzabal pudesse ingressas na área e criar espaços para William José se tornar artilheiro do time. O time ainda perderá Carlos Vela em janeiro de 2018, quando o jogador se transferir para o Los Angeles FC. Para substituir o mexicano, Adnan Januzaj foi o escolhido. Velocidade pelo lado direito, drible e chute são as principais características do belga que tenta confirmar as expectativas que recaíram sobre ele durante seu surgimento no Manchester United. O jogo de Eusebio passará mais uma vez pela dupla de volantes Illaramendi e Zurutuza. Se ambos funcionarem, podemos ter um ótimo cenário no lado azul do país basco.

A NOVA ERA EM VALENCIA

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Depois das últimas campanhas muito abaixo, chegou a hora do Valencia e Marcelino Toral voltarem a Europa. O técnico asturiano não abre mão de duas coisas: ele não abre mão do esquema 4-4-2 e a premissa do time é a solidez defensiva. As últimas duas contratações fazem sentido nesse ponto. Os zagueiros Gabriel Paulista e Murillo chegam para assumir o posto que Garay deve deixar. Há também uma mudança de brasileiros no gol. A troca de Diego Alves por Neto em características não muda muito, a diferença fica na questão de idade e na saída de gol pelo alto melhor para ex-goleiro da Juventus.

Um jogador que será fundamental para a volta dos valencianos a Europa é Carlos Soler. Com apenas 21 anos, a pequena joia do clube espanhol surgiu como um atacante, passou para a posição de mediapunta e agora atua como meia central. Um meia com capacidade de temporizar as jogadas, atacar espaços e criar com muita naturalidade. Ainda tem como trunfo as cobranças de falta. Na casa de Juan Mata, David Villa e David Silva, estamos diante de outra grande promessa que pode levar o Valencia a sonha alto nessa temporada.

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