A COPA DO REY E O MOMENTO ESPANHOL

Por Igor Junio Barbosa

O domínio do futebol espanhol na atual década, principalmente quando falamos em competições europeias, é mais do que notório. Real Madrid, Barcelona, Atletico Madrid e Sevilla empilhando boas campanhas e títulos, seja na Champions League ou na Europa League. Mesmo assim, o nível do futebol apresentado no país é questionado, mas esse não será o tópico central desse artigo, pois já superamos essa fase.

A questão é que, fora das competições europeias e olhando apenas para dentro da Espanha, também já faz um bom tempo que encontramos projetos para lá de interessantes, que protagonizam duelos que chamam a atenção de quem gosta do estilo de jogo praticado do país – e da variedade da forma de execução dos mesmos.

Na atual temporada, olhando para La Liga, tivemos algumas decepções. O Villarreal de Santi Cazorla está na zona de rebaixamento, juntamente do Celta, que nos encantou com Sisto e Nolito poucos anos atrás. O Valencia, por sua vez, teve início ruim, mas está em plena recuperação e já ocupa a sétima posição. Clubes como Alavés e Getafe deram sequência à regularidade que vinham apresentando e agora são postulantes a vaga em competições europeias… é muito legal ver como na Espanha, de modo geral, o bom trabalho é sim premiado.

Todos esses fatores desencadearam em uma edição extremamente agradável de Copa do Rey nessa temporada. Na última sexta (01), as semifinais foram sorteadas e teremos Real Madrid vs Barcelona e Real Betis vs Valencia decidindo os finalistas. As equipes de Solari e Valverde vão chamar os holofotes para si, é claro, mas o que não faltou nessa Copa do Rey foram duelos interessantes e competitivos, reforçando o bom momento do futebol espanhol como um todo.

Nas oitavas de final já fomos premiados com um grande duelo entre Girona e Atletico Madrid. Empate em 1 a 1 na ida e em 3 a 3 na volta, com o time da Catalunha se classificando graças ao gol fora de casa. Ainda nessa fase, tivemos o Espanyol passando pelo Villarreal com vitória autoritária em seus domínios do jogo de volta, além do Sevilla despachando um Athletic que ainda estava em crise.

No entanto, o que mais me chamou a atenção foram as quartas de final. Diferentes treinadores, diferentes estilos, diferentes elencos e formas de se defender e buscar o gol, rendendo grandes emoções e belo futebol. Getafe, um time com uma capacidade física invejável para o futebol espanhol, sempre buscando duelos individuais e com uma defesa fortíssima, resistiu por muito tempo ao Valencia, vencendo em casa, marcando no Mestalla, mas não contava com Rodrigo Moreno e um grande Dani Parejo. A equipe de Marcelino abusou das transições com seus móveis homens de frente e conseguiu marcar duas vezes nos acréscimos.

Em Espanyol e Betis, a consistência de time de Barcelona parecia que seria o suficiente para superar o estilo tão próprio dos comandados de Quique Setien. Após empate na ida, Leo Baptistão colocou o Espanyol na frente em Sevilha, e o Betis se viu superado por 60 minutos durante essa partida. Mas quando o lado emocional vira, é difícil segurar o time mandante que possui talento em seu ataque. Betis começou a criar chance atrás de chance, conseguiu o empate e seguiu pressionando até vencer na prorrogação. Grande Sergio León, que entrou durante a partida.

Nas classificações de Real Madrid e Barcelona, apesar do placar agregado exuberante (7 a 3 para o Real Madrid e 6 a 3 para o Barcelona), também vimos sinal de resistência dos adversários. O Sevilla chegou a superar o time de Valverde com facilidade no jogo de ida, sempre com um forte jogo exterior, além de ter perdido um pênalti na volta enquanto ainda havia jogo. O Girona chegou a sair na frente no Santiago Bernabeu e, na partida de volta, perdeu chances de sair na frente e incendiar o confronto. Isso porque o Girona está preocupado com sua má fase na Liga e rodou o elenco nas duas partidas.

Enfim, esse foi um pouco do cenário das quartas de final da Copa do Rey. Fica a expectativa para um Real Madrid já mais equilibrado, diante do Barcelona, que além de Messi, tem ganhado mais protagonismo de atletas recém-chegados como Arthur, Vidal e Dembelé. Por parte de Betis e Valencia, fica uma curiosidade ainda maior para nós que apreciamos os underdogs espanhóis, em que teremos uma equipe tão rigorosa nos movimentos táticos (Betis) e outra que conserva mais suas linhas de marcação para depois impor ritmo alto (Valencia).

 

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