BALANÇO TÁTICO – 5ª RODADA – CAMPEONATO BRASILEIRO

Por @RodrigoCout

Depois da 5ª rodada do Campeonato Brasileiro, o Flamengo continua na liderança da competição. Há dez anos não liderava por três rodadas consecutivas, mas perdeu em Chapecó com o time praticamente reserva e viu Corinthians e Atlético/MG encostarem. A dupla alvinegra, em termos de desempenho, apresentou mais que o rubro-negro até aqui. Após a segunda vitória seguida, o Cruzeiro manteve a evolução e merece destaque também. O Balanço Tático não se atém ao resultado. Aqui analisamos o desempenho, a execução do modelo de jogo, a coerência, a avaliação em cima de cada fase e a estratégia de acordo com o que o adversário apresenta. Não há nenhuma relação com o jogo anterior.

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O Grêmio viveu um jogo inteiro praticamente de ataque contra defesa diante do Internacional. Com a Arena lotada, mais uma vez impôs o seu estilo e teve quase 80% da posse em diversos momentos. Não teve Ramiro, Léo Moura e Jael. Alisson, Madson e André foram os substitutos. O ex-ponta do Cruzeiro foi muito bem e assimilou a função feita por Ramiro. Já André não chegou a ir mal, mas teve a “bola do jogo” nos pés e desperdiçou. Madson não comprometeu, mas também perdeu boas chances. No 1° tempo o Tricolor teve alguns problemas com a marcação em cima de Maicon e Arthur, principalmente o segundo, e o jogo não fluiu com tanta naturalidade. Luan se viu obrigado a “descer” mais o campo e se afastou da entrelinha. O time não teve profundidade, mas foi melhor e não criou tanto por méritos defensivos do Colorado. Na segunda etapa continuou buscando criar a sua maneira e conseguiu mais oportunidades. Pecou nas finalizações. Ganha o carimbo da evolução por manter a qualidade ofensiva e também pela transição defensiva perfeita, impedindo praticamente todos os contra-ataques oponentes.

André acabou desperdiçando a principal oportunidade do Grêmio no jogo.

André acabou desperdiçando a principal oportunidade do Grêmio no jogo.

Vitória contundente do Cruzeiro contra o Sport na manhã de domingo. Teve dificuldades no 1°tempo, mas dominou inteiramente na segunda etapa. Sem Thiago Neves, Mano Menezes começou com Robinho centralizado na linha de meias. Depois centralizou Arrascaeta, passou Robinho para a direita e Rafinha para a esquerda. A Raposa tomou a iniciativa e novamente foi uma equipe de muita movimentação, além da rápida troca de passes. Quando chegava no terço final, porém, acabava se precipitando, cruzando algumas bolas sem tanta necessidade. Em transições era muito perigosa e teve um gol mal anulado assim. Defensivamente teve algumas dificuldades, muito também pelo bom 1°tempo feito pelo Sport. Marcou no final da primeira etapa novamente com Dedé de cabeça. No 2° tempo dominou inteiramente! Fisicamente muito mais inteiro, não deixou a intensidade cair. Taticamente mais seletivo próximo ao terço final, Arrascaeta fez um golaço. O Cruzeiro segue evoluindo e é um time muito forte fisicamente.

O intenso time cruzeirense vence a segunda consecutiva e vai melhorando o desempenho.

O intenso time cruzeirense vence a segunda consecutiva e vai melhorando o desempenho.

A Chapecoense conseguiu a sua primeira vitória no campeonato contra o líder Flamengo, na Arena Condá. Mesmo que o adversário tenha atuado com um time praticamente reserva, entrou em campo com Guerrero e Diego, além de Vinícius Jr no 2°tempo. Gilson Kleina colocou no gramado um time mais ofensivo. Guilherme e Artur Caíke pelos lados e Leandro Pereira substituindo o suspenso Wellington Paulista na referência. Na faixa central, Amaral mais atrás, Canteros e Márcio Araújo mais à frente. Um 4-1-4-1 na fase defensiva, que virava um 4-3-3 par atacar. Adotou a postura reativa e, com a bola, atacou da mesma maneira que vem fazendo: com bolas diretas. Ora para o pivô, ora buscando a projeção dos laterais. Foi mais intenso e concentrado que o Flamengo e abriu o placar numa rara jogada trabalhada. Com a melhora do adversário no 2°tempo, sofreu mais defensivamente. Não deixou de lutar, porém, e se aproveitou de duas falhas individuais para vencer o jogo, mesmo levando o empate duas vezes.

Canteros comemora com seus companheiros. O argentino deu o toque de criatividade que faltava ao meio-campo da Chapecoense.

Canteros comemora com seus companheiros. O argentino deu o toque de criatividade que faltava ao meio-campo da Chapecoense.

Vitória tranquila do Santos sobre o Paraná na Vila Belmiro. Jair Ventura repetiu o 4-1-4-1 da goleada contra a Luverdense. Jean Mota e Vitor Bueno na faixa central, à frente de Alison. O primeiro participando mais da saída de bola e o segundo trabalhando mais à frente. Muitas trocas de posição entre Gabriel, Eduardo Sasha e Rodrygo. Na primeira etapa buscaram mais a faixa central e deixaram os flancos para Dodô e Victor Ferraz ocuparem simultaneamente. O Santos até se mexia bem, mas novamente parecia sem estratégia coletiva para furar o bloqueio do Paraná. Finalizou com perigo em apenas uma ocasião nos 45 minutos iniciais. Teve dificuldade, mas não sofreu com contra-ataques. Transição defensiva bem afinada. Na segunda etapa, abriu mais o campo com os atacantes, contou com mais movimentos de infiltração por dentro e chegou ao gol logo a um minuto. Depois ficou com o jogo a seu caráter. Construiu os outros tentos no contra-ataque e teve bom desempenho defensivo, apesar do gol sofrido no fim.

Gabriel vem ganhando mais liberdade para flutuar pelo ataque. Fez dois gols em contra-ataques do Peixe.

Gabriel vem ganhando mais liberdade para flutuar pelo ataque. Fez dois gols em contra-ataques do Peixe.

Vitória no melhor estilo Corinthians. Efetivo, letal e controlador. Foi assim que o Timão bateu o Palmeiras no Derby. Carille manteve Pedrinho pelo lado direito, e o garoto fez uma grande partida, foi determinante para a vitória. Manteve também o ”4-2-4” com Rodriguinho e Jadson na faixa central. A equipe começou o jogo tomando a iniciativa. Trocava passes com bastante paciência e a ferramenta para progredir no campo era a associação pelos lados, principalmente o esquerdo. Estava difícil, o Palmeiras marcava bem e era até mais perigoso nos contra-golpes, teve as melhores chances até o gol sair. E ele saiu de um dos primeiros contra-ataques que o Corinthians teve no jogo. Pedrinho abriu a defesa palmeirense ao deixar Thiago Santos e Bruno Henrique pra trás, e Rodriguinho finalizou a aula de transição ofensiva, que contou ainda com as participações de Jadson e Sidcley. Com a vantagem, era a vez do Palmeiras propor mais o jogo, mas o Corinthians demonstrou a sua conhecida solidez defensiva e neutralizou praticamente todas as investidas do rival. Levou um susto apenas no final, quando o Porco já estava no ”abafa”. Antes disso, foi perigoso em contra-ataques e também em alguns períodos com posse. Poderia ter ampliado e seria injusto se não vencesse. Encosta no Flamengo na liderança.

O sempre preciso Rodriguinho vai se transformando no ''homem-gol'' do Corinthians.

O sempre preciso Rodriguinho vai se transformando no ”homem-gol” do Corinthians.

Depois de um início difícil na Fonte Nova, o São Paulo foi mais regular que os donos da casa ao longo dos 90 minutos, mas não conseguiu a vitória. O empate saiu já nos acréscimos, em golaço de Shaylon. Diego Aguirre armou a equipe inicialmente num 4-1-4-1, com o retorno de Éder Militão na lateral. No meio, Jucilei como 1º homem. Hudson e Lucas Fernandes completando a faixa central. Nenê partia do lado direito pro centro quando o tricolor paulista tinha a bola, e tentava fechar o lado sem a posse. Isso mesmo, tentava! Na verdade causava desequilíbrio no sistema defensivo porque não conseguia e, por mais que Hudson se esforçasse para compensar, não acontecia. O primeiro gol do Bahia nasceu desse problema. Em fase ofensiva, porém, o São Paulo conseguia envolver mais do que partidas recentes. Nenê trabalhava entre as linhas, se aproximava de Lucas Fernandes. Everton mexia-se muito pela esquerda e Trellez na referência. O empate acabou vindo com o colombiano após lindo passe de Nenê. O time acabou levando o segundo gol logo depois em cochilo conjunto de Bruno Alves e Reinaldo. Aliás, este foi um ponto abaixo no 1°tempo. Faltou mais concentração ao São Paulo para defender, algo que foi corrigido na segunda etapa. Já as transições estiveram bem afinadas o jogo todo. Nós últimos 45 minutos, Aguirre foi deixando Nenê cada vez mais centralizado, acrescentando jogadores mais ofensivos e, por mais que tenha ficado exposto na reta final do jogo, foi coroado com um empate. Cresce o São Paulo!

Jogadores do São Paulo comemoram o gol de Trellez. Equipe vai encorpando. É a única invicta após cinco rodadas.

Jogadores do São Paulo comemoram o gol de Trellez. Equipe vai encorpando. É a única invicta após cinco rodadas.

Não que o Vitória tenha tido uma grande atuação, mas em vista às anteriores, esta foi de longe a melhor. Houve melhora no sistema defensivo e na retenção de bola. E a vitória dentro de São Januário é justa. Vagner Mancini promoveu seis alterações no time que vinha jogando. O 4-4-2 foi mantido, mas Lucas reassumiu a lateral-direita, Walisson Maia entrou na zaga e Jefferson na lateral-esquerda. Filipe Soutto ganhou a vaga de Uillian Corrêa no meio, Wallysson foi escalado pela esquerda, e André Lima ao lado de Neílton no ataque. Em alguns momentos, a equipe lembrou o Vitória do Brasileirão do ano passado, sendo competitivo em períodos da competição com um jogo reativo bem organizado. Começou bem compacto e agressivo na abordagem de marcação. Se posicionava em bloco médio e em pequenos períodos adiantava suas linhas. Foi assim que forçou o erro de Desabato e abriu o placar. Depois disso acabou sofrendo o gol de empate com a pressão do Vasco, mas na segunda etapa conseguiu novamente sair do sufoco. Por mais que não tivesse tanta criatividade com a bola, trocava passes e freava o ímpeto vascaíno. Mancini mexeu no time para renovar a força de contra-ataque e dois minutos depois Lucas Fernandes marcou. O Vitória aproveitou o desequilíbrio emocional do time da casa para fazer o terceiro. Depois foi pressionado, sofreu um gol, quase toma o empate, mas a vitória é justa. O Nêgo foi um time mais consistente.

André Lima foi um dos que ganharam chance na equipe. E aproveitou, fez um dos gols do Vitória.

André Lima foi um dos que ganharam chance na equipe. E aproveitou, fez um dos gols do Vitória.

Vitória importantíssima do Atlético/MG sobre o xará paranaense fora de casa. Thiago Larghi manteve a escalação da equipe com os mesmos atletas no 4-1-4-1, exceto Leonardo Silva poupado. O jovem Bremer entrou de novo. A estratégia inicial do Galo não era marcar de forma adiantada. Se posicionava em bloco médio e vez ou outra adiantava as suas linhas. Não deu certo! Foi iludido pelo bom jogo coletivo do CAP, e por mais que tivesse intensidade, não conseguia ser efetivo. Com a bola também não produzia. Foi um time travado e preso na primeira etapa. Em nada lembrava o rendimento das últimas partidas. Não fosse por Victor iria para o intervalo com um placar maior contrário. Thiago Larghi nem esperou a metade do jogo para mexer. Sacou Luan e Otero, ambos não estavam bem, e pôs Elias e Cazares. Mexeu no sistema tático.

O Galo passou a jogar no 4-2-3-1, com Gustavo Blanco pela direita, algo semelhante com o que já havia ocorrido contra o São Paulo. Depois do papo no intervalo, o alvinegro voltou melhor. A postura mudou completamente. Passou a ser uma equipe que marcava mais na frente, forçava erros do Furacão, e mantinha a bola no campo de ataque com a intensa movimentação que vem costumeiramente apresentando. Empatou na bola parada e começou a ter muitos espaços no contra-ataque. Virou o placar e poderia ter feito mais gols se caprichasse nas finalizações. Defensivamente passou um susto ou outro, mas havia um adversário muito mais controlado. Mereceu vencer e o carimbo da evolução pelo domínio mais contundente que teve no período que foi melhor.

Roger Guedes mais uma vez teve boa atuação e marcou o gol da vitória. 'A chave virou' para o temperamental atacante no Galo.

Roger Guedes mais uma vez teve boa atuação e marcou o gol da vitória. ‘A chave virou’ para o temperamental atacante no Galo.

Mesmo não vencendo o clássico Vovô contra o Botafogo no estádio Nilton Santos, o Fluminense esteve muito bem em campo e só não saiu com os três pontos pela grande atuação do goleiro Jefferson. A novidade na escalação foi a presença de Luan Peres na zaga, na vaga que era de Frazan. Desde o primeiro minuto de jogo se impôs. Tomou a iniciativa de jogar a sua maneira. Imprimindo velocidade na troca de passes e buscando o pivô de Pedro, em mais uma grande atuação, ou as dobradinhas pelos lados, principalmente o direito com Gilberto e Marcos Junior. Ayrton Lucas e Sornoza também levavam vantagem pela esquerda. Em alguns momentos adiantava a marcação, em outros recuava o seu bloco de jogadores, mas sempre conseguia cortar a troca de passes do Botafogo e anular as triangulações pelos lados. Só pecou nas bolas alçadas na área. Levou os dois gols assim. Um de bola rolando e outro de bola parada, mas produziu para vencer até com uma confortável vantagem. Finalizou mais que o dobro de vezes do Botafogo. Teve intensidade o tempo inteiro. Melhor jogo feito até aqui no campeonato.

Pedro teve mais uma noite de ótima atuação. É um dos principais jogadores deste início de Campeonato Brasileiro.

Pedro teve mais uma noite de ótima atuação. É um dos principais jogadores deste início de Campeonato Brasileiro.

O Colorado adotou uma estratégia muito clara contra o maior rival fora de casa. Se fechou com muita organização, concentração e intensidade. Tentou jogar por “uma bola”, mas não teve a mesma competência para contra-atacar. É preciso relativizar a ótima transição defensiva do adversário, mas Leandro Damião passou a maior parte do tempo sozinho, sem apoio e companhia. Odair Hellmann não teve D’Alessandro, com um desconforto muscular, e escalou uma equipe perfeita para a estratégia adotada. O esquema novamente foi o 4-1-4-1 com Rossi e Lucca pelas pontas. A dupla fez uma ótima partida defensivamente, assim como Patrick e Zeca na faixa central, cortando muitas das ações de Arthur e Maicon. Destaque também para Rodrigo Dourado, à frente da defesa, e a dupla Rodrigo Moledo/Cuesta, perfeitos defendendo a área. Danilo Fernandes fez grande defesa e garantiu o empate sem gols. Um bom resultado se levarmos em conta a diferença existente entre os times hoje, mas insuficiente pra evoluir em virtude de não conseguir contra-atacar.

Rodrigo Dourado fez um jogo praticamente impecável na Arena do Grêmio.

Rodrigo Dourado fez um jogo praticamente impecável na Arena do Grêmio.

Talvez o preparo físico tenha sido o grande vilão do Sport no Mineirão. Fez um belo 1° tempo, sendo mais perigoso que o Cruzeiro em alguns momentos, mas acabou derrotado pela segunda vez no campeonato. Novamente apostou num jogo reativo fora de casa. Um time bem compacto e agressivo para pressionar o jogador do Cruzeiro que tinha a bola. Quando recuperava a posse, apostava bastante na dobradinha entre Sander e Marlone pela esquerda. Criou boas situações e evoluiu em fase ofensiva. Finalizou mal e acabou punido com um gol no último lance da primeira etapa. Voltou pro 2° tempo abaixo em todos os aspectos. Perdeu mobilidade com a bola, intensidade sem ela e acabou levando o segundo gol, pareceu bem abaixo que o adversário fisicamente. Claudinei mexeu no sistema tático com as entradas de Everton Felipe e Caio Henrique, a equipe não deixou de lutar, mas não teve forças para reagir. De um forma geral, não foi uma atuação decepcionante. Mesmo com o 2° tempo feito, o Sport hoje é um time muito mais competitivo.

Claudinei Oliveira vai fazendo o Sport crescer bastante em apenas três semanas de trabalho.

Claudinei Oliveira vai fazendo o Sport crescer bastante em apenas três semanas de trabalho.

O Bahia viu sua segunda vitória no campeonato escapar pelos dedos nos últimos minutos. Guto Ferreira manteve a mesma equipe que jogou pela Copa do Brasil, na goleada sobre o Vasco. João Pedro iniciou na lateral-direita. Éverson e Élber seguiram nos lugares dos lesionados Tiago e Marco Antônio. Como quase sempre faz em casa, o Bahia adiantou a marcação e sufocou o São Paulo nos 15 minutos iniciais. Girava o jogo de lado com rapidez buscando a dobra entre lateral e extremo para criar. Conseguiu um pênalti desta forma e abriu o placar. Sua intensidade diminuiu e alguns problemas de posicionamento defensivo começaram a aparecer, principalmente entre as linhas. Perdeu o controle do jogo e sofreu o empate, mas marcou o segundo logo em seguida no oportunismo de Edigar Junio. No 2° tempo reequilibrou as ações até a metade da etapa, mas foi cansando e sendo empurrado pra trás pelo São Paulo. As mexidas de Guto neste sentido não surtiram efeito e o merecido empate saiu nos acréscimos, pouco depois de Kayke perder grande chance no contra-ataque.

Autor de dois gols, Edigar Junio é peça-chave no intenso Bahia.

Autor de dois gols, Edigar Junio é peça-chave no intenso Bahia.

O Furacão sofreu a sua segunda derrota seguida dentro de casa. Mas desta vez o desempenho foi superior ao da última rodada. Fernando Diniz poupou alguns atletas e começou com Carleto na linha de zagueiros. Renan Lodi ganhou nova chance na ala-esquerda, mas saiu lesionado antes dos 15 minutos. Wanderson entrou e Carleto voltou ao lado do campo. Zé Ivaldo também começou jogando na zaga e Bruno Guimarães teve nova oportunidade ao lado de Camacho no meio. O 1° tempo da equipe foi muito bom! Dominou inteiramente o adversário. Se aproximava para trocar passes desde o campo de defesa e ia progredindo naturalmente, vencendo a boa marcação do Galo. Marcou com Pablo de cabeça, mas não foi para o intervalo com uma vantagem maior por causa de Victor. No 2°tempo manteve o nível até levar o gol de empate, novamente em bola parada/aérea. Depois disso teve que enfrentar a melhora dos mineiros, e foi se desorganizando. Perdendo compactação e agressividade sem a bola, voltando a ter problemas na transição defensiva e ansioso no ataque, errando muito e dando o contra-ataque. Em corte mal feito por Santos acabou levando a virada, mas não dá pra culpar o arqueiro. Não fosse por ele o Furacão teria levado outro placar elástico contrário em casa. Novamente perdeu o controle do jogo muito facilmente. Comportamento irregular!

Zé Ivaldo afasta a bola aérea do Galo. Furacão tem sofrido muito com este tipo de jogada.

Zé Ivaldo afasta a bola aérea do Galo. Furacão tem sofrido muito com este tipo de jogada.

Maurício Barbieri poupou praticamente todos os titulares na primeira derrota da equipe no campeonato. Mesmo com o revés mantém a liderança. Diego e Guerrero voltaram a atuar como titulares. O peruano foi muito bem, marcando um gol inclusive. Já o meia segue devendo. Em suma faltou mais concentração e intensidade ao rubro-negro no 1°tempo. Teve problemas táticos em consequência disso. O principal deles a pouca agressividade sem bola, o que permitiu que a Chapecoense marcasse um gol de jogada trabalhada e aproximação, o que não costuma fazer. Outro problema foi a participação ineficiente de Jonas na saída de bola. Como o adversário bloqueava bem os lados do campo e o volante não conseguia ser ativo, a alternativa era buscar a ligação direta com Guerrero, mas a Chape controlava bem isso. Na segunda etapa o Flamengo foi superior. Voltou mais ligado e marcou dois gols. Perdeu por falhas individuais de Juan e César, a última já nos acréscimos.

Guerrero jogou muito bem e marcou um gol naquele que seria o seu último jogo em 2018.

Guerrero jogou muito bem e marcou um gol naquele que seria o seu último jogo em 2018.

O Paraná sofreu a sua quarta derrota em cinco rodadas na Série A. Fez um bom 1° tempo contra o Santos na Vila Belmiro. Foi uma equipe compacta, agressiva na abordagem de marcação e defendeu bem a sua área nos 45 minutos iniciais, algo que vinha faltando. Ofensivamente produziu pouco. Esbarrava numa boa transição defensiva do Peixe quando ia contra-atacar e só chegou com perigo nos últimos dez minutos. Na volta do intervalo foi bem diferente. Se desconcentrou e levou o primeiro gol com um minuto. Precisou sair e, quando parecia se recuperar do baque, sofreu o segundo em contra-ataque. Apresentou novamente os problemas que já haviam prejudicado o seu rendimento defensivo, tanto em transição, quanto numa defesa mais “posicional”. Até melhorou com a bola depois e fez um gol de honra, mas segue sem ser uma equipe competitiva em toda a partida.

Caio Henrique não conseguiu se destacar desta vez. Paraná foi muito pobre ofensivamente.

Caio Henrique não conseguiu se destacar desta vez. Paraná foi muito pobre ofensivamente.

O Palmeiras até começou bem contra o Corinthians. Roger Machado resgatou a formação original da sua equipe com Lucas Lima e Borja. Iniciou o jogo marcando em bloco médio, bem compacto, intenso no combate ao adversário que tinha a bola, fechando os espaços. Forçou alguns erros do Corinthians e teve as melhores chances antes de levar o gol, a melhor delas com Thiago Santos. Num raro contra-golpe corintiano até aquele momento do jogo, viu sua marcação ser desmontada pela habilidade de Pedrinho e a força do rival neste tipo de jogada. Quando precisou propor mais, travou! O Palmeiras passou a ser um time muito estático e previsível, muito pouco para vencer um dos melhores sistemas defensivos do país. Poderia ter levado o segundo, mas contou com a sorte em não sair de Itaquera com uma derrota maior. Ainda acertou a trave no final do jogo no ”abafa”. Lucas Lima, Dudu, Borja, Diogo Barbosa, Marcos Rocha e Bruno Henrique estiveram muito abaixo.

Diogo Barbosa acabou não fazendo uma boa partida e teve muito trabalho com Pedrinho.

Diogo Barbosa acabou não fazendo uma boa partida e teve muito trabalho com Pedrinho.

E segue a sina de falhas defensivas decisivas do Vasco. Desta vez foram determinantes na derrota por 3×2 para o Vitória dentro de São Januário. Zé Ricardo promoveu mudanças no time. Rafael Galhardo voltou a lateral-direita e Breno retornou após longo período parado por lesão para formar a dupla de zaga com Werley. Wellington foi barrado, mas o escolhido para fazer a sua função foi Bruno Silva, o que mudou muito pouco na prática. Wagner atuou na faixa central, Pikachu e Caio Monteiro pelos lados, e Andrés Rios novamente na referência. O Cruzmaltino chegou a ter quase 80% da posse no 1° tempo, mas não conseguiu exercer a pressão da forma que deveria. O time novamente ocupava bem os espaços, mas nitidamente intranquilo errava demais, esbarrava na boa marcação do Vitória. Em um desses erros, Desabato praticamente deu um gol para André Lima. O Vasco mais uma vez foi guerreiro e, mesmo variando bastante a organização, chegou ao empate após ”pênalti duplo”. Na segunda etapa seguiu com os mesmos erros ofensivos e a transição defensiva, que era boa na primeira etapa, passou a não funcionar mais. Exposto, levou um gol de contra-ataque e outro, logo depois, em cobrança de escanteio que culminou com Werley marcando contra. Zé Ricardo mandou o time ainda mais ao ataque, diminuiu com Rios, quase empatou com Riascos, mas o jogo nervoso e inconsistente feito pelo Vasco cobrou o seu preço.

Breno voltou após longa inatividade e não comprometeu. Ficou muito exposto no 2º tempo.

Breno voltou após longa inatividade e não comprometeu. Ficou muito exposto no 2º tempo.

Na base da luta e da insistência o Ceará arrancou um empate contra o América Mineiro, dentro do Castelão, com gol de Pio, de pênalti, aos 47 minutos do 2°tempo. O meio-campista, que jogou na lateral direita mais uma vez, serve como exemplo do porquê do desempenho do Vozão ter sido decepcionante. A entrada do atleta foi a única mudança em comparação com a equipe que empatou com o Corinthians na rodada passada. Seguiu o 4-2-3-1 com Elton na referência ofensiva. O alvinegro começou atacando com muita agressividade. A principal ferramenta para criar era Pio pela lado direito.

O América, apesar de bem posicionado, sofria para neutralizar a equipe da casa. A parte defensiva, porém, apresentou muitos problemas desde o início. Se Pio era perigoso na frente, atrás errava seguidamente o posicionamento e não contava com uma boa cobertura. Para completar, a agressividade do Ceará com a bola não era acompanhada sem ela. E o time da casa acabou levando dois gols. A torcida passou a pressionar muito e o time perdeu organização ofensiva, se desestabilizou. Acelerou todas as jogadas e errou muito, dando vários contra-ataques ao adversário. Apesar do cenário conseguiu marcar de cabeça com Elton em cobrança de escanteio. Na volta do intervalo, teve atitude e pressionou, mas ainda de forma desorganizada. Tanto é que mesmo jogando no campo do América a etapa toda, só ameaçou de fato com chutes de Pio de fora da área. O próprio jogador marcou o gol de pênalti no fim. O resultado é justo pela busca do Ceará, mas do ponto de vista coletivo, não foi uma boa atuação. Segue sendo uma equipe desequilibrada.

Pio, o camisa 30 do Ceará, provou que tem que ser titular da equipe e ganhar mais liberdade para atacar.

Pio, o camisa 30 do Ceará, provou que tem que ser titular da equipe e ganhar mais liberdade para atacar.

O Coelho poderia ter terminado no G4, mas decepcionou pelo péssimo 2° tempo que fez. Não que a primeira etapa tenha sido perfeita, mas fez o suficiente para marcar dois gols aproveitando falhas da defesa adversária e, como de praxe, atacando a área com muitos jogadores após tramas pelos lados do campo. Enderson Moreira não teve Rafael Moura e escalou Aylon como “9”, dando mais mobilidade ao time. Luan e Marquinhos jogaram pelos lados e Aderllan substituiu Norberto na lateral-direita. O mesmo 4-2-3-1 das outras rodadas. Defensivamente esteve sempre bem posicionado, mas a intensidade na abordagem de marcação foi abaixo do ideal na maioria do tempo. Principalmente por se tratar de uma postura reativa, acabava sofrendo, mesmo nos períodos do jogo em que era muito mais organizado que o Ceará. Levou um gol ainda no 1°tempo e na segunda etapa simplesmente não jogou. Não foi agressivo pra marcar, não contra-atacou, não se movimentou, um time apático. Levou merecidamente o empate nos acréscimos.

O lateral Giovanni, que fez os dois gols, brinca com Marquinhos na comemoração do segundo tento. Coelho não conseguiu manter o bom rendimento inicial.

O lateral Giovanni, que fez os dois gols, brinca com Marquinhos na comemoração do segundo tento. Coelho não conseguiu manter o bom rendimento inicial.

Mesmo vencendo o clássico contra o Fluminense dentro de casa, o Botafogo não teve uma boa atuação. É inegável, porém, que foi eficiente. Colocou pra dentro do gol as duas grandes chances que teve, ambas oriundas do jogo aéreo, uma de bola rolando e a outra parada. Avaliando cada fase do jogo no entanto, o Glorioso decepcionou. A começar pela parte ofensiva. Sem Léo Valencia lesionado, Alberto Valentim optou por Kieza fazendo o lado esquerdo do campo. A equipe perdeu em articulação por ali, por mais que o chileno não seja um jogador tão regular. Ganhou em profundidade, como na origem do primeiro gol, mas poucas jogadas saíram. O lado direito também não produziu tanto como de costume. É preciso relativizar a boa atuação do Fluminense, que cortava a maioria das ações do Botafogo, seja com uma marcação mais adiantada ou na entrada do último terço. Mas foi um jogo muito abaixo em produção ofensiva. Defensivamente sofreu mais no 1º tempo. Kieza não conseguia ”dobrar” a marcação no lado esquerdo, Renatinho se posicionava mal, não fazia as coberturas corretamente, e por ali o Fluminense criou o seu gol em grande jogada. É o segundo jogo consecutivo em que o Botafogo é dominado por um adversário mais intenso, algo que precisa ser trabalhado, um item de suma importância no futebol de hoje. Na segunda etapa, conseguiu bloquear mais o rival com a entrada de Gustavo Bochecha. As coberturas foram ajustadas e o time esteve mais compacto. Foi muito pressionado no final e manteve o resultado, que é positivo, mas não pode deturpar a avaliação do rendimento.

Kieza fez o gol da vitória, mas atuando aberto pela esquerda gerou problemas defensivos no setor. Botafogo venceu, mas não foi bem.

Kieza fez o gol da vitória, mas atuando aberto pela esquerda gerou problemas defensivos no setor. Botafogo venceu, mas não foi bem.

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